Artigos - [09h41 04/09/2006]
Crônica de uma morte anunciada
por Ézio Expedito Ferreira Lima
A Apeoesp não concorda com as atuais avaliações na educação
Na edição de 29 de agosto, este jornal publicou um editorial intitulado “Silêncio Cúmplice” sobre o resultado da “Prova Brasil” do MEC. São necessários alguns esclarecimentos.
Os resultados da “Prova Brasil” para as escolas de Guarulhos não devem dar margem a comentários irônicos a respeito de números tão negativos para os alunos avaliados.
Mas é preciso dizer que a política educacional imposta ao município lembra, infelizmente, a “crônica de uma morte anunciada.”
A Secretaria Municipal de Educação priorizou a expansão do ensino fundamental, em detrimento do ensino infantil, sem primar pela qualidade e sem valorizar os trabalhadores da educação, por meio de um plano de cargos e salários condizente com as necessidades reais dos profissionais.
Outro aspecto que merece profunda reflexão diz respeito aos mecanismos de avaliação externa. Estas avaliações são orientadas por instituições como Banco Mundial, BID e Unesco, entre outras, e não têm preocupações de aferir resultados para alavancar a educação pública e, concomitantemente, sua qualidade.
Ao contrário: as orientações destes organismos tentam desgastar os sistemas de ensino público e criar um padrão de qualidade mercadológico, totalmente desfocado de uma formação humanista.
Ao mesmo tempo, reforçam a ideologia de que o sistema público é ineficaz, que a salvação educacional está no ensino privado e nas reformas voltadas para diminuir as responsabilidades estatais – leia-se, redução de gastos.
Avaliações como o Saresp, a Prova Brasil, o Pisa e outros, aplicados pelos governos, apenas constatam e não se preocupam com o processo de ensino-aprendizagem.
Se tivessem interesse em solucionar o problema da qualidade na educação pública, diagnosticariam o processo educacional como um todo, e verificariam que suas políticas e orientações estão reprovadas. A Apeoesp não compactua com essas avaliações e não se omite nem na discussão, nem na luta por uma educação pública gratuita e de qualidade.
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