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• Artigos - [10h26 15/08/2008]

Uma roupa cara que não cai bem
por Castelo Hansen

Castelo Hanssen escreve às sextas-feiras

Que me perdoe a alma de Ulisses Guimarães, um raro estadista num país de tantos politiqueiros. Mas a sua obra-prima, a Constituição Cidadã, que ele alinhavou com tanto esmero, ficou bonita, bem costurada mas não cai bem no corpo (e na alma) do cliente, ou seja, do Brasil.

Não quero com isso diminuir o país onde nasci, em que vivo e ao qual quero bem, mas somos latino-americanos e mestiços, não escandinavos. Não que sejamos piores que os suecos, dinamarqueses e noruegueses. Em alguns pontos, somos até melhores do que eles, pois somos alegres, não temos racismo nem preconceito contra imigrantes. Em compensação, somos rebeldes, indisciplinados, folgados, loucos para dar um jeitinho e levar vantagem em tudo. Isso pode ser um defeito ou uma qualidade, dependendo do ângulo que se olhe.

A Constituição de 1988 seria ótima para povos mais organizados e disciplinados. Para países de Primeiro Mundo, se considerarmos essa classificação em termos de cultura, educação e civilização, e não de poderio bélico e econômico, como os Estados Unidos. Depois de vinte anos de jejum, a população pensante do país estava sequiosa de cidadania, de direitos humanos e outros direitos. os constituintes capricharam e erraram na dose.

O resultado é que temos direitos demais, principalmente para os humanos que não são direitos. O grosso da população, coitado, não tem nem direito de ficar sozinho na porta de sua casa, ou de ir até a esquina sem medo de ser assaltado. Políticos e empresários corruptos, criminosos organizados ou não, de colarinho branco ou sem colarinho, conhecem de cor e salteado todas as leis e sabem aproveitá-las para se livrar do castigo merecido. Tem-se a triste impressão de que a nata da inteligência brasileira está entre corruptos e bandidos.

Um exemplo típico dessa hemorragia de "direitos humanos" (e bota aspas nisso), é o caso recente de um perigoso bandido que teve sua sentença de prisão anulada e foi libertado porque apresentou-se ao julgamento com as mãos algemadas, o que contraria o sensível coraçãozinho dos nossos juristas. Não acredito que a Justiça esteja deliberadamente querendo defender bandidos e corruptos. A única explicação para isso, é que além de cega, a coitadinha é burra.



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