Artigos - [09h45 21/08/2006]
Agora, é correr para o abraço
por Alexandre Polesi
Para Alckmin, importante mesmo é a casa onde nasceu em Pindamonhangaba
A pesquisa Ibope divulgada ontem à noite mostra que o eleitor faz a leitura correta dos primeiros dias do horário eleitoral gratuito de TV: se Alckmin e Lula fazem um programa idêntico nos temas, na estética e no tom (e até na trilha musical), por que mudar?
Lula continua rigorosamente na faixa dos 46-47%. O candidato do PSDB estacionou na faixa dos 21-23%. Heloísa Helena também parou. O eleitor é sábio, no fundo. Se o principal candidato da oposição esforça-se para se assemelhar a seu oponente, que motivos teria para pensar diferente, isto é, para impedir a reeleição?
Geraldo Alckmin, no dizer de um aliado seu (o prefeito César Maia, do Rio), mostra-se na TV não como candidato a presidente, mas como candidato a prefeito. Sua mensagem não se destina aos que vêem o país afundado na maior crise ética de sua história. Estes estão órfãos. Ele nada nos diz sobre isso.
A quem se destina sua mensagem, afinal? Ninguém sabe. A perplexidade entre seus aliados é crescente. A dos eleitores antipetistas, então, nem se fale. Lula aboliu o PT de sua campanha. Pois não é que Alckmin fez o mesmo? Ele também limou os escândalos de seu programa.
A catástrofe moral que assola o país, a degenerescência dos valores republicanos, a dissolução ética do Congresso e a crise brutal dos partidos, nada disso existe na TV. Para Alckmin, importante mesmo é a casa onde nasceu em Pindamonhangaba. É a babá com quem conviveu. Lula, por sua vez, com a liberdade que a fantasia lhe concede, mostra um país de inflação baixa e salários em crescimento. Acena com o paraíso do consumo para as pessoas simples que, agora, têm a possibilidade de comprar um DVD e “dar uma festinha” para o filho.
O mundo sobre o qual fala é o mundo real, dos que se beneficiaram de dez anos de estabilidade da moeda e da rede de proteção social do governo anterior – ou seja, do programa de Fernando Henrique Cardoso, que Lula abduziu e adaptou para seus propósitos, ao mesmo tempo em que, para os ingênuos, disse ter recebido uma herança maldita.
Com esse jogo, é correr para o abraço em outubro.
|
Notícias relacionadas:
Trocando os pés pelo traseiro [12h08 22/08/2008]
O que o mito da caverna tem a nos dizer [10h38 21/08/2008]
Etelvina, não vou mais trabalhar! [10h33 21/08/2008]
Uma roupa cara que não cai bem [10h26 15/08/2008]
Transposição muda história do cangaço [10h32 14/08/2008]
|
Capa Topo Imprimir Indicar
|