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• Artigos - [10h33 21/08/2008]

Etelvina, não vou mais trabalhar!
por Alexandre Polesi, da Redação

Alexandre Polesi escreve às quintas-feiras

Gilberto Gil já deixou o Ministério e pode, portanto, fazer a mais adequada louvação do furor consumista que toma conta do petismo depois da descoberta das jazidas de petróleo da tal "camada pré-sal" - o novo bilhete premiado achado na rua pelo governo.

Ilan Goldfajn, ex-diretor do Banco Central no tempo de FHC, escreveu com mordacidade ("O Estado de S. Paulo", de 19/8) que o lulismo já está "gastando" toda a suposta riqueza do pré-sal, antes mesmo de alguém saber direito quanto vai custar arrancar uma mísera gota de óleo daquelas profundezas do oceano.

Ele procurou os estudos disponíveis e achou apenas um, do banco suíço UBS. Tornar operacionais os campos de Tupi, Júpiter e outros exigiria investimentos da ordem de US$ 600 bilhões! Ou 38% do PIB brasileiro (a Petrobras não tem essa estimativa, ou não a divulga).

É uma fortuna monstruosa. Quem tem tanto dinheiro? O governo e a Petrobras, certamente, não. As empresas nacionais, menos ainda. Resta o capital estrangeiro.

Mas quem vai investir tantos bilhões, furando poços a sete mil metros de profundidade, se não tiver garantias plenas de uma excelente taxa de retorno?

Lula, porém, acha que acertou no milhar, e, como o Macalinhas dos versos de Gil, não quer mais trabalhar. Só faz planos de novo-rico. No governo, ninguém diz como e quando aquela riqueza vai sair do fundo do mar.

Mas todos já gastam por conta. A grana do "bilhete premiado" vai acabar com a miséria e garantir a boa educação do povo - foi o que Lula disse esta semana.

Os cortesãos também estão eufóricos. Guido Mantega viu no pré-sal a chance de ressuscitar seu inefável fundo soberano, agora lastreado pelas jazidas de Tupi e Júpiter e com a nobre missão de evitar que a "enxurrada" (?) de dólares cause inflação ou valorize ainda mais o real.

Dilma Rousseff, a mãe do PAC, já encontrou o mote de sua campanha presidencial em 2010. E os apparatchiks do petismo se movimentam freneticamente para criar uma nova estatal petrolífera que não tenha de prestar contas aos acionistas privados da Petrobras. Enfim, estão todos muito ocupados, viajando no óleo do pré-sal.

Falta uma Etelvina para acordá-los e gritar que está na hora do batente. "Sai pelos fundos barbulino/ Que pela frente tem gente/ Foi um sonho, minha gente".



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