Fidel Castro completou 80 anos no dia 13, em estado de convalescença, após ter sido submetido a uma cirurgia, tendo feito uma declaração para que o povo cubano esteja preparado para alguma notícia adversa.
Os especialistas acreditam que ele esteja vivendo o seu ocaso, o que deixa muitos apreensivos em relação ao futuro de Cuba. Fidel passou o comando do governo ao seu irmão, Raúl Castro, que assumiu a chefia do país juntamente com um colegiado castrista. Mas as incertezas aumentam quanto ao destino de Cuba após a morte de Fidel.
Foi toda uma geração condicionada pelo sistema político, econômico, social e cultural imposto por Fidel Castro. Certamente irá demorar para emergir uma nova liderança capaz de indicar outras possibilidades políticas e que tenha força suficiente para convergir as forças de uma nação combalida economicamente, sufocada culturalmente e sem saber como viabilizar a transição democrática.
Será preciso que a elite política cubana se dê conta do equívoco que é manter o país sob o atual regime.
Foi feita uma aposta numa ideologia que se comprovou falha historicamente. As conquistas sociais (especialmente nas áreas de saúde e educação) obtidas durante o governo de Fidel, foram insuficientes.
Mas é evidente que caberá ao novo governo manter as conquistas, sem deixar-se engessar pela ideologia que as sustentou. É preciso ir mais além. A experiência cubana ficou emblemática: a liberdade humana é tão importante quanto a justiça, as duas devem caminhar juntas. Como isso poderá ser possível, na prática?
Ainda não sabemos. Mas que ambas devem estar juntas, é consenso de todos. O ocaso de Fidel, na realidade, é o crepúsculo de uma ideologia que não serve mais de modelo a país algum. Mesmo a China, há muito promoveu mudanças. Principalmente na área econômica, para dar conta das novas exigências e demandas do mundo globalizado.
VALMOR BOLAN, doutor em sociologia, é reitor da Universidade Guarulhos e vice-presidente do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras.