Há quase dez anos, Melodia acalentava a idéia de um projeto sobre samba, embora nunca em seus trabalhos faltou o gênero. No ano passado, quando foi convidado para fazer um show especial em comemoração aos 70 anos do Teatro Rival, cantando sambas de várias épocas, mal imaginou que aquilo seria o embrião do que viria se tornar seu próximo álbum.
Gravado durante o carnaval deste ano, o disco deu um mergulho estético e temático no samba dos anos 30, 40 e 50 e reviveu canções e autores que o tempo jamais apagará. Começa com um clássico de Cartola, "Tive Sim", de 1968 e prossegue com uma canção de seu pai, Oswaldo Melodia, ("Não Me Quebro à Toa" – que assina ainda "Linda Tereza") e "Eu Agora Sou Feliz", de Jamelão e Mestre Galo.
Outros destaques são "Dama Ideal" (Alcebíades Nogueira e Arnaldo Passos, parceiros de Lupicínio Rodrigues e Monsueto, respectivamente), "Chegou a Bonitona" e "Cabritada Mal Sucedida" (Geraldo Pereira), "Papelão" (de Geraldo das Neves, gravada por Paulinho da Viola em 72) e "Recado que Maria Mandou" (Haroldo Lobo/ Wilson Batista).
Há também um passeio pelo chorinho com a singela Choro de Passarinho (Renato Piau/ Euclides Amaral/ Rubens Cardoso), num duo com Jane Reis (esposa e empresária de Melodia), a participação das Gatas (Silvia Nara, Zenilda Barroso, Zélia Bastos e Francisca Germano), tradicional coro de vozes femininas do samba carioca, Contrastes (de Ismael Silva, que Jards Macalé já tinha regravado) e "O Neguinho e a Senhorita" (Noel Rosa de Oliveira/Abelardo Silva), sucesso do saudoso Noite Ilustrada.
Nota dez para o conceito, o repertório e a atuação do intérprete. Conclusão (antiga, mas ainda válida): Melodia é tão ótimo compositor como cantor. Salve!