Depois de sua aclamada estréia em disco, Roberta Sá chega ao segundo álbum, "Que Belo Dia Para se ter Alegria", com vigor e mostrando que veio pra ficar.
Ainda que não tenha uma personalidade que a faz ser identificada de prima (o que também não é por falta de esforço), a cantora vence pela inteligência em unir boa (e nova!) música brasileira à sua voz afinada e de técnica impecável.
Muito se deve (e é bom registrar) ao talento do produtor Rodrigo Campello, músico de primeira que concebeu o disco junto com Roberta. O resultado intimamente brasileiro e feliz une samba-choro com samba de roda, bossa nova e o funk carioca (do bom, não as baixarias que a mídia enfoca).
Resgate de pérolas perdidas da música brasileira, sim ("Alô Fevereiro", do genial e pouco lembrado Sidney Miller, cujo sucesso foi na voz de Dóris Monteiro, em 1972, e "Interessa", obra obscura do repertório de Linda Batista), mas o grande lance do disco são as música inéditas.
De Pedro Luís há quatro: "Girando na Renda", "Janeiros" (co-autoria de Roberta), "Samba de Amor e Ódio" (com Carlos Rennó) e "Fogo e Gasolina", com a participação especial de Lenine. Junio Barreto (recentemente gravado por Gal Costa) fez "O pedido"; Moreno Velloso e Quito Ribeiro, a ótima "Mais Alguém"; Roque Ferreira (autor que a cantora tem vontade de um dia dedicar um disco inteiro à sua obra), "Laranjeira; Edu Krieger, "Novo Amor" e Rodrigo Maranhão, "Samba de Um Minuto".
Dona Ivone Lara a presenteou com "Cansei de Esperar Você" e Lula Queiroga (um dos autores mais gravados por Elba Ramalho) com a faixa título.
Roberta Sá merece respeito e ser tocada nos lugares. Sangue novo e bom na maravilhosa, porém cansada MPB das novas cantoras.