Há um bom tempo os grandes intérpretes da MPB deixaram de gravar músicas inéditas em favor de todo tipo de regravação, das inteligentes às desnecessárias. Nada contra. É até compreensível, se levarmos em conta a atual escassez de compositores. Claro que há novos e bons compositores, mas não como havia até a década de 80.
Por tudo isso, pode-se considerar uma ousadia o novo disco de Emilio Santiago (logo ele, o "rei" das Aquarelas e dos projetos especiais), "De Um Jeito Diferente", que acaba de sair pela Indie Records, com repertório quase todo inédito – as únicas regravações são "Dindi", de Tom Jobim e Aloysio Oliveira, e "Moça Flor", de Durval Ferreira, compositor da bossa nova, recentemente falecido, que também foi produtor do primeiro disco de Emilio e grande incentivador do seu trabalho.
Cercado de grandes músicos, como Jorge Helder, Armando Marçal, Paulo Calasans, Jacques Morelembaum, Paulo Braga, Marcelo Martins, Jessé Sadoc, Leo Gandelman, Chico Chagas e Ricardo Silveira (que também assina a produção), Emilio acerta em quase tudo, principalmente nos duetos com Mart'nália (Não me Balança Mais, de autoria da própria sambista) e Nana Caymmi (Olhos Negros, de Johnny Alf).
"De Um Jeito Diferente" , a canção que empresta o nome ao CD, é uma daquelas pérolas dos irmãos João Donato e Lysias Ênio e conta com o piano inconfundível do próprio Donato. É dele também a parceria com Carlinhos Brown (“Um dia Desses”), uma das melhores faixas.
"Desilusión", de Rosa Passos, a grande cantora e compositora, infelizmente ainda não reconhecida à altura no Brasil, também se destaca, assim como a primeira parceria de Marcos Valle e Carlos Lyra (“Até o fim”).
Emilio vem com força à frente de um bom repertório e um disco digno, mostrando que sua voz continua impecável. Coisa de mestre!
Emilio Santiago
De Um Jeito Diferente
Indie Records, 2007
Cotação: bom