Economia - [18h38 02/08/2008]
Fundador do Aché conta trajetória
por Valdir Carleto
Em “Mercenário ou missionário?”, Victor Siaulys narra como um vendedor de peixe na feira transformou-se em megaempresário
Foi lançado na noite de quarta-feira, 30, no hotel Unique, em São Paulo, o livro “Mercenário ou Missionário”, de Victor Siaulys. O presidente do Conselho de Administração do Aché Laboratórios, do qual é fundador, concluiu sua obra internado no hospital Albert Einstein, tratando do quarto câncer ao longo de sua vida, desta vez leucemia mielóide aguda. No livro, que Siaulys prefere não chamar de auto-ajuda nem de autobiografia, ele relata as três experiências anteriores: a primeira, trinta anos atrás, de tireóide; outra, de pele, há dez anos; a terceira, de próstata, há seis. “Não vou me render facilmente a este novo desafio”, promete em um texto enviado aos amigos, dias antes do lançamento. O contraponto proposto no título do livro diz respeito à sua atividade como empresário e ao trabalho voluntário ao qual se dedica, como presidente do Conselho Deliberativo da Laramara, organização que criou para dar assistência, principalmente pedagógica, a portadores de deficiência visual. Sua filha Lara, com 30 anos, não nasceu cega, mas prematura; sua retina foi prejudicada pelo oxigênio que recebeu em 60 dias nos quais ficou na incubadora. Cita, ainda, sua atuação em entidades não-governamentais, como a Organização da Sociedade Civil Viva Guarulhos, fundada sob sua inspiração. Siaulys conta sua trajetória, desde o tempo em que vendia peixes na feira com o pai, lituano analfabeto; sua atividade como propagandista de remédios, o curso de direito no largo São Francisco e o teimoso sonho que o fez, com dois amigos de profissão, a criar um laboratório farmacêutico próprio, o Prodoctor, que veio dar origem ao Aché, hoje uma das maiores empresas farmacêuticas da América Latina. O concorrido evento de lançamento dá bem a medida da popularidade de Victor Siaulys. Com 360 páginas e prefácio do jornalista Ricardo Gontijo, o livro terá toda a renda revertida em favor da Laramara. “Desse permanente exercício de compartilhar sonhos com todos que cruzam o meu caminho, o efeito colateral mais precioso que colecionei foi o de abolir o medo. Se nada mais espero da vida, acho que a vida ainda pode esperar muito de mim, por conta das sementes que plantei ao longo da existência”, diz o autor, em seu livro.
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