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• Economia - [21h08 17/07/2008]

Bussinger critica o "não-fazer"
por Valdir Carleto - Redação

No fórum promovido pela Agende, ex-secretário de Transportes diz que "a carga tem de chegar"

Na terceira palestra do V Fórum Desenvolvimento Sustentável, realizado pela Agende (Agência de Desenvolvimento de Guarulhos), na quarta-feira, o engenheiro Frederico Bussinger, presidente da Cia. Docas de São Sebastião e ex-secretário municipal de Transportes de São Paulo, disse que, muitas vezes, não fazer custa mais caro do que fazer.
Ele criticou o que considera excesso de zelo na concessão de licenciamentos ambientais, afirmando que há projetos que causariam menos impactos sendo realizados do que a sua não concretização provoca.
Citou exemplos, como o da região belga de Flandres, que optou por construir um canal de 80 km, para que a operação logística salvasse a cidade e essa construção foi um "case" de sucesso.
"As cargas precisam chegar ao seu destino de alguma forma. É hipocrisia tergiversar. As pessoas dependem das mercadorias, então é preciso viabilizar formas de elas serem transportadas, tal como acontece com as pessoas", comparou.
Defendendo o planejamento como imprescindível, mencionou que Barcelona, na Espanha, lembrada pela cultura, tradições e esporte, escolheu a logística como seu ponto central de desenvolvimento, fixando o ano de 2015 para ser a capital logística da Europa.
"Não dá para fazer agora, custa caro, falta dinheiro, mas é preciso planejar, discutir soluções. É preciso integrar pessoas e cargas. E pensar que logística inclui transporte, mas é muito mais. E há entraves de todo tipo que influem na logística".
Bussinger disse que por questões tributárias, há deslocamentos desnecessários e absurdos, como o de veículos sobre carretas do porto de Vitória para São Paulo; de soja para ser beneficiada em outro estado, retornando à origem.
Defendeu novas formas de transporte: "Não há lógica em trazer areia de caminhão de Jacareí para São Paulo. Verduras de Mogi das Cruzes poderiam viajar de barco pelo Tietê. Há saídas: é preciso pensar".
Além dele, participaram o consultor Antonio Mourão Santana, o superintendente de Planejamento da Secretaria de Transportes do Estado, Milton Xavier e a secretária municipal de Transportes e Trânsito, Patrícia Veras.

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