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• Educação - [10h23 05/08/2008]

Reunião vira debate entre “bem e mal”
por Renata Moreira, da Redação

Conselheiros vinculados à Prefeitura defendem programa; integrantes da sociedade civil dizem só o Governo tem a solução

A reunião no Conselho Municipal de Educação (CME) sobre o Educriança, ontem à tarde, serviu como fórum de debate entre o organismo e a Administração. Foram quase duas horas de discussão, que girou sobre a importância e legitimidade ou não do programa.

Os representantes da Secretaria Municipal da Educação que integram o CME disseram que não há vagas em creches para atendimento imediato, conforme determina a sentença judicial. Eles não apresentaram qualquer sugestão para equacionar o problema; só mantiveram a defesa do programa.

O coordenador pedagógico do Educriança, Manoel Rodrigues Português, disse que ele é uma alternativa para a educação infantil. “A pergunta ‘Educriança ou creche’ é falsa. Nós queremos os dois, uma política de integração”, afirmou.

A professora Ozani Martiniano, representante da Apeoesp, no Conselho, disse que programas alternativos não vislumbram a qualidade da educação, sobretudo a infantil. “O Conselho tem que salvaguardar as leis da Educação. Fizemos muitas lutas para conquistar a LDBE (Lei de Diretrizes e Bases da Educação)”, comentou.

A presidente do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), Anastácia Policarpo Gomes Zagatto, classifica o Educriança como política pública de formação para mães e crianças.

Na próxima sexta-feira está prevista uma reunião na Promotoria da Infância e Juventude para que a Prefeitura apresente uma proposta viável para o atendimento imediato das crianças com idade de zero a três anos.

MÃES
Pelo menos quatro mulheres, mães de crianças atendidas pelo programa, participaram da reunião. Elas defenderam a manutenção. Kelly Teixeira da Silva, 29 anos, moradora do Parque São Miguel, no Pimentas, era a mais articulada.

Acompanhada da filha Maria Eduarda, de 2 anos e nove meses, Kelly leu um manifesto a favor do Educriança.  “Do jeito que falam, dá a entender que nós estamos no programa só pelo dinheiro e isso não é verdade. Eu aprendo muito”.

A conselheira tutelar Andréa de Andrade disse que, diferente das mulheres que estavam ali, ela está acostumada a ouvir mães que não gostam do Educriança. “Eu atendo mães que querem creche. Hoje os representantes da Secretaria da Educação estão aqui e não têm nenhuma proposta. Eles deveriam ter”, disse.

Os conselheiros vão elaborar um material com esclarecimentos sobre a situação do Educriança e fazer gestões na Câmara para discutir o projeto recém protocolado pelo vereador Ulisses Correia (PT) que  tenta transformá-lo em lei. “É o mesmo projeto que já foi rejeitado no passado”, comentou a conselheira Zélia Brito.

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