Em um curso de aperfeiçoamento, foi proposto que interpretássemos uma música de Chico Buarque. Muitos de nós fizemos adivinhações e poucos (para alívio meu) sabiam realmente do que tratava o texto. Achávamos que a letra da música referia-se ao amor de uma mulher por um homem que a deixava sozinha, ou vice-versa. A vergonha foi saber que a personagem principal era uma criança que reclamava a presença da mãe. Que diferença!
O que pode ter acontecido? Simples, ignorávamos o contexto de produção, isto é, não tínhamos conhecimento da situação em que fora criada a música. Isso quer dizer que o sentido de um texto não depende somente da clareza do autor, da escolha das palavras que utiliza e do contexto social de sua criação; depende também dos conhecimentos prévios do leitor sobre determinado assunto, que podem ser diferentes do conhecimento do autor e diferentes de outro leitor. Ou seja, o sentido pode ser múltiplo porque múltiplos são os leitores. Para exemplificar, conto-lhes uma outra situação.
Num curso de capacitação de professores, comentei a beleza de determinado livro e o quão havia me tocado a ponto de me levar às lágrimas. Na semana seguinte, uma das alunas disse-me com desdém: “Eu li o livro que você comentou e eu não achei nada emocionante”. Qual seria o motivo? Aí trata-se do contexto de uso. No momento em que li o livro eu poderia estar mais emotiva, ou poderia sentir empatia pela situação vivida pela personagem, diferentemente da outra leitora que poderia estar mais “fria” para a recepção daquela informação. Você já ouviu a frase “Quando li o livro pela segunda vez percebi coisas que não havia notado antes”? Isto quer dizer que o contexto de uso modificou, o leitor pode ter amadurecido ou experimentado situações novas.
Mas para tudo há um limite. Para cada texto há uma exigência. Os textos jurídicos, relatórios, atas e similares devem ser claros a ponto de não permitir interpretações distantes de seu propósito. Por outro lado, o leitor deve buscar o maior número de informações para que não cometa o equívoco que cometi em relação à letra da música do Chico.
Daí a causa das múltiplas interpretações dada ao livro mais conhecido do planeta: a Bíblia. Justificam alguns que as mensagens são metafóricas e por isso permitem liberdade de interpretação; outros, mais conscientes, pesquisam o momento sóciocultural dos fatos relatados, buscam na etimologia o significado histórico de determinada palavra (ex: a palavra aperitivo, que usamos hoje, significava veneno antigamente), tudo isso para evitar interpretações equivocadas.
E daí, o que isso tem a ver conosco, pais e professores? Ora, diante desse conhecimento devemos estar atentos às cobranças que fazemos aos nossos filhos e alunos sobre seu rendimento nas avaliações de leitura que verificam o grau de compreensão leitora.
Nós, que os avaliamos, devemos considerar seu conhecimento prévio em relação ao tema tratado, seja de um fato histórico, de uma palavra contida no enunciado de matemática, das observações que fazem das estações climáticas, dos assuntos tratados no jornal falado da televisão. Ninguém escreve sobre aquilo que não sabe ou entende, ninguém relaciona fatos que nunca presenciou ou dos quais teve informações. A aprendizagem parte de algo que conhecemos para o que não conhecemos, da informação velha para a informação nova. É assim que acontece!
***
Para você pensar: “O meu povo está sendo destruído por falta de conhecimento”. Se você quiser evitar uma interpretação livre dessa frase e conhecer o porquê de seu pronunciamento o endereço é Oséias 4:6a.
Grace de C. Gonçalves
E.E. Vereador Antônio de Ré
gracegoncalves2004@yahoo.com.br
O educador e a família na escola contemporânea
ndes mudanças sociais e grande desenvolvimento tecnológico.
Se noutros tempos só os pais trabalhavam, agora as mães estudam e exercem suas profissões. Assim, não lhes resta muito tempo nem para incentivar ou elogiar os primeiros passos de seus filhos.
Se noutros tempos a escola era centrada na figura do professor, hoje as crianças e jovens têm acesso a inúmeras informações e questionam como transformar essas informações em conhecimentos a serem resgatados com satisfação e alegria na aplicação ou resolução de problemas futuros.
Com isso, o papel da família, sobre como proceder e preparar o filho para o mundo, e o papel da escola, referente a como e o que ensinar e educar, tornam-se complexos, exigindo um convívio de parceria constante entre a escola e a família.
O mundo contemporâneo exige novos desafios na educação. Educar significa transformar o indivíduo num ser social, preparando jovens não só para a sociedade, mas para o mundo. Daí a necessidade de a família e a escola trabalharem com valores, inclusive estabelecerem limites, administrarem frustrações e proporcionarem amadurecimento emocional e intelectual, a partir de conteúdos consistentes e oferta de vivência concreta.
A escola de hoje, além da leitura da palavra, deve ensinar a leitura do mundo. Deve ensinar os seus alunos a:
1 – Aprender a aprender
2 – Aprender a fazer
3 – Aprender a conviver
4 – Aprender a ser
Os profissionais de hoje e do futuro deverão ter estas características.
Conteúdos ou informações eram, no passado, um fim em si mesmos. Hoje, além de dominá-los, é preciso desenvolver:
1 – Habilidades
2 – Competências
3 – Atitudes
4 – Inteligência
5 – Valores
Educar, como se pode ver, é um processo contínuo e permanente. Daí, a necessidade de toda a equipe pedagógica de uma escola ter qualificação, isto é, sentir amor pelo que faz, ter competência, atualizar-se, participar de atividades culturais diversas, ser modelo para os jovens em crescimento e oferecer um projeto de vida.
A escola deve, ainda, proporcionar atividades que possibilitem:
1 – Empreendedorismo
2 – Trabalhos Voluntários
3 – Responsabilidade Social
Desde a Educação Infantil até o Ensino Médio, a escola deve preparar o aluno para a vida, formando um cidadão com ética, moral e cidadania, pronto para ser um profissional com potencial de sucesso e capacidade de compartilhar suas realizações.
Para isto, é extremamente importante que a família participe do Processo Educativo do filho, tanto no lar como na escola, dando exemplos, oferecendo materiais, fazendo comentários, incentivando-o para a pesquisa, ajudando-o a melhorar, elogiando-o e mostrando a ele que o conhecimento e a formação são investimentos para o futuro.
Equipe Pedagógica do
Colégio Guilherme de Almeida
Estudar requer cuidados com a visão
Com o reinício das aulas nos colégios e faculdades, a rotina de estudos e preparação para testes é retomada. E tão importante quanto garantir o bom desempenho escolar é evitar que surjam ou se agravem os problemas de visão
O ambiente de estudo deve ter condições adequadas de higiene, iluminação e ventilação. “A má iluminação ou excesso de luz causam cansaço visual e diminuição do rendimento do estudante”, afirma o oftalmologista Virgilio Centurion.
Uma boa iluminação é aquela que oferece contraste e quantidade de luz ideais para a realização de uma determinada tarefa. Já a iluminação mais prejudicial é aquela que cria ofuscamento. Além de desconforto, “ela diminui a habilidade de a pessoa ver, porque cria um véu que reduz o contraste na retina”, explica o médico.
Na hora de ler, “o mais aconselhável é que a lâmpada de leitura esteja a uns 40/50 centímetros acima da cabeça do estudante”, recomenda Centurion. Para o oftalmologista, “a luz deve incidir pelo lado contra-lateral à mão que escreve. Com essa posição, 60 watts de potência na lâmpada são suficientes para iluminar o ambiente de leitura”, diz.
Quanto às lâmpadas, não há provas de que exista alguma que prejudique a visão. Mas o médico desaconselha o uso de luzes que emitam raios ultravioletas que são prejudiciais à pele. “São boas para iluminar um vaso ou um quadro, mas não para ser a luz principal de ambiente de estudo”, diz.
Em geral, as pessoas se sentem melhor usando a luz incandescente, porque é aquela com a qual estão mais acostumadas e porque é mais similar à luz solar.
Outra orientação relevante para o estudante que passa horas ininterruptas diante dos livros, cadernos e computador é a de que é importante piscar. “Piscar é fundamental, pois faz a troca do filme lacrimal, uma película de lágrima que fica sobre a córnea, responsável pela manutenção da umidade dos olhos, indispensável para uma boa visão”, afirma a oftalmologista Maria Carrari.
A médica recomenda uma pausa de pelo menos 10 minutos a cada hora de estudo, para que o estudante relaxe e volte a piscar normalmente. O uso do protetor de tela também é eficaz. Alguns indivíduos sentem maior conforto com ele.
Em ambientes com ar-condicionado, é muito importante a troca regular dos filtros de ar, como também a instalação de umidificadores para não comprometer a lubrificação natural dos olhos. Em conseqüência, a lágrima, principal responsável pela oxigenação da córnea, se evapora mais rapidamente. “Portanto, o estudante deve ficar atento a sinais como lacrimejamento excessivo, ardência ou sensação de areia nos olhos”, afirma a médica. Quando estes sintomas começarem a aparecer, é hora de desligar o ar.
Aprendendo com os erros nos discursos eleitorais
Época de eleição é propícia para fazer teste dos conhecimentos que os candidatos têm de Língua Portuguesa. Nosso idioma oferece muitas armadilhas, principalmente para tropeço dos que tentam falar de forma pomposa, sem embasamento.
Uma dessas armadilhas faz com que o candidato acabe dizendo exatamente o contrário do que queria dizer e, assim, confesse ao eleitor o que jamais teria coragem de admitir se soubesse se expressar corretamente. É o caso da expressão “ir de encontro”, que significa “chocar-se”. Pode ter certeza de que, quando começar o horário eleitoral gratuito, surgirá deputado dizendo: “Todos os meus projetos vão de encontro aos interesses do povo”. Certamente, ele quis dizer que suas proposituras vão “ao encontro” dos interesses do povo. Por não conhecer a Língua Portuguesa, confessou que usou o mandato para agir contra o povo.
FLEXÃO VERBAL Se o candidato disser “Em meu mandato haverão muitas mudanças”, a prioridade dele não será a Educação, pois o verbo haver, no sentido de existir, não é flexionado.
O mesmo acontece com o verbo fazer, quando significa tempo transcorrido. É errado dizer: “Fazem quinze anos que me dedico a esta cidade”. O correto é “faz quinze anos”.
REDUNDÂNCIA Na frase “Isso aconteceu há 20 anos”, o verbo haver expressa tempo passado. Portanto, é errado escrever – ou dizer – “Isso aconteceu há 20 anos atrás”. Também é correto assim: “Isso aconteceu 20 anos atrás”
OUTRAS DICAS O verbo visar tanto pode ser transitivo direto como indireto. Use a regência direta no sentido de visar o alvo, visar o ladrão. Porém, quando o sentido for o de ter em vista ou por objetivo, é obrigatória a preposição “a”. Por exemplo, “Os deputados visaram unicamente aos seus interesses”.
VIVA! O candidato chega e é saudado: “Viva fulano de tal”. Mas, por incrível que pareça, se a dupla estadual-federal chegar ao mesmo tempo, o verbo vai para o plural: “Vivam os candidatos!”. Ficou estranho? Então diga: “Viva! Os candidatos chegaram!”
Valdir Carleto
Juízes lançam Cartilha da Justiça para crianças
Quem disse que juizados e tribunais são assunto apenas para adultos? Certa de que é possível mostrar aos pequenos seus direitos e deveres, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) lança, nesta terça-feira, 8 de agosto, em Brasília, a nova versão da Cartilha da Justiça em quadrinhos, principal ferramenta do projeto “Cidadania e Justiça Também se Aprendem na Escola”.
A cartilha procura suprir a falta de conhecimento sobre questões de Direito, Cidadania e Justiça e pretende conscientizar professores e alunos – alcançando também pais e responsáveis – sobre os caminhos para exercer seus direitos e sobre a importância de cumprir seus deveres. Também traz noções sobre a estrutura e o funcionamento do Estado, principalmente do Poder Judiciário e de outros serviços públicos essenciais.
“Esperamos que essa linha de trabalho possa inspirar outras iniciativas voltadas ao fortalecimento de uma consciência de direitos e deveres”, afirma o juiz Rodrigo Collaço, presidente da AMB.
O projeto é coordenado pelo juiz Roberto Portugal Bacellar, vice-presidente de Cidadania e Direitos Humanos da AMB. As cartilhas têm formato de gibi e serão distribuídas gratuitamente às escolas que desejarem desenvolver o projeto.
O interesse deve ser manifestado diretamente à AMB pelo e-mail justica.escola@amb.com.br ou às associações de magistrados locais. Mais informações sobre o projeto “Cidadania e Justiça Também se Aprendem na Escola” podem ser obtidas clicando no banner que está na lateral direita do portal da AMB (www.amb.com.br).