Guarulhos pretende ter o mais completo e moderno autódromo do Brasil. Para tanto, foi instituída no município nesta sexta-feira, 22, uma Comissão Especial que tem por objetivo desenvolver estudos de potencialidade e análise de viabilidade do projeto, além de analisar aspectos técnicos, econômicos, urbanos, esportivos, turísticos, sociais e políticos.
Essa comissão, que terá 120 dias para submeter ao prefeito Elói Pietá (PT) as conclusões alcançadas, será formada pelo Secretário Municipal de Esportes, Júlio Filgueira, pelo Secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico, Antonio Carlos de Almeida, pelo presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo, Paulo Scaglione, pelo diretor da área de Esportes da TV Globo, Ciro José Gonsales, pelo Diretor do Departamento de Turismo, Adam Kubo, entre outros.
Haverá ainda uma reunião em 4 de outubro com o coordenador técnico da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Charles Whiting, além de um encontro de Pietá com o diretor comercial da Fórmula-1, Bernie Ecclestone, se este vier ao Brasil no Grande Prêmio, que será realizado em 22 de outubro, para discutir possibilidades de viabilização do projeto.
Filgueira afirma que Guarulhos tem condições de construir um autódromo “enxuto, dinâmico e multiuso. Precisamos de uma área de cerca de 1 milhão de m² para a construção. Estamos considerando também áreas particulares, mas que têm de ser ambientalmente sustentáveis, com todas as licenças necessárias. Mas não podemos esquecer que falamos, neste momento, apenas em hipóteses”. Ele afirma ainda que este é um investimento que pode ser suportado pelas Parcerias Público Privadas (PPPs). “No entanto, ainda não começamos a procurar parceiros”, explica.
Se vier a ser construído, o autódromo poderá se sustentar pela própria pujança do automobilismo brasileiro. Além disso, ele deverá estar localizado em uma zona de ruído aeroportuário. “Cogitamos também a desapropriação de uma área privada. Ficou evidente para a Comissão que há um esgotamento estrutural de Interlagos e que o Estado precisa de um autódromo novo. Por exemplo, foram gastos cerca de R$ 10 milhões por ano, entre 2001 e 2004, na construção de arquibancadas a cada GP-Brasil. Se fizermos a pista em um declive, a mesma poderá servir de arquibancada”, revela Filgueira.
Sobre a possibilidade de sediar a F-1, o secretário atenta para o fato de que há um contrato até 2009 com Interlagos. “Não podemos também sediar a Fórmula Indy e a F-1 ao mesmo tempo, são eventos excludentes. A prefeitura de São Paulo gasta, atualmente, 22 milhões de reais por GP. Como boa parte disso vai para as arquibancadas, acreditamos que há a possibilidade de injetar na economia o mesmo valor anual, ou seja, mais de R$ 70 milhões, gastando muito menos na organização”, afirma.
A Comissão deverá avaliar os custos e a partir de então a prefeitura poderá buscar financiamento com parcerias privadas. No momento, apenas o governo federal está na empreitada. Poderá haver até mesmo uma parceria com o Estado. Calcula-se que, se houver a aprovação, o autódromo leve de 2 a 3 anos para ser erguido.