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• Exclusivo - [08h41 06/07/2006]

Viva! Perdemos a Copa!
por Fábio Carleto

Voltamos aos tempos de colônia (se é que um dia eles acabaram) e tivemos de torcer para Portugal.

Nem isso adiantou, mas era o que havia nos restado, além de comemorar a desclassificação dos argentinos, que, castigo a galope, entoaram a Marselhesa em frente à concentração brasileira depois da queda.

Mesmo tendo o maior plantel de craques disponível dos últimos doze anos, fizemos nossa pior campanha do período. Há quem diga que tudo estava ajeitado. Para mim, se a copa foi vendida ou não, faz pouca diferença. Importa é que fizemos um papel ridículo e a França, com o futebol mediano que apresentou, deveria ter ganho de mais. Agora somos fregueses dos azuis.

O nosso técnico, lento, limitado e turrão, achou ruim o Fantástico ter revelado suas falas durante os jogos. Problema claro de foco: deveria ter menos vergonha pelo que falou e muito mais pelo que não fez.
Cai o mito e, a partir desse fiasco, certamente o nosso futebol, que talvez tenha sido até aqui o nosso grande orgulho diante do mundo, não será mais tão admirado quanto antes. Resta-nos ainda a beleza de nossas mulheres, lugares interessantes para visitar e muito mais. Amo meu País, mas acho muito pouco.

Penso que os motivos que nos colocaram de joelhos diante da França de Zidane têm alguma relação com os que nos fragilizam no cenário mundial. Sem querer reduzir demais a discussão, dá para perceber que as maiores potências enfrentaram duros revezes antes de chegarem ao topo. Parece que isso aguça em seu povo o instinto de sobrevivência e superação através da disciplina, o que mostra que as crises trazem em si oportunidades. Já quem tem tudo, quase sempre desperdiça recursos, o que é nosso caso. Como País e como time.

E enquanto o Brasil pára e a gente chora a derrota da seleção, vivendo uma paixão sem razão de ser e que não muda nada na nossa vida, o que de fato importa muitas vezes fica esquecido.

Galvão Bueno, que tanta gente critica e que fala bobagem pelos cotovelos, disse uma grande verdade: Um time tem a mesma postura de seu comandante. Faz sentido. E se a ordem dos fatores não altera o produto, talvez seja por isso que a gente acha normal ter o presidente que tem. Somos um povo acomodado. Trabalhador, sofrido, mas acomodado.

E falando em Lula, eu, que obviamente não gostei de ver nosso time perder, já estou feliz com a derrota. Pelo menos o País volta ao normal, a atividade econômica retoma os trilhos e o povo toma tento da vida e até da eleição. E, segundo as pesquisas, o fiasco futebolístico pode atrapalhar o senhor Luiz Inácio. Bendito fiasco.

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