Para os turistas do mundo inteiro que vieram acompanhar a Copa na Alemanha e acham que o alemão é um idioma extremamente complicado, existe uma alternativa extremamente viável de sobreviver em terras germânicas: aprender turco. Talvez seja mais fácil e para o dia-a-dia mais efetivo. Em todas as esquinas encontram-se turcos trabalhando como comerciantes, taxistas, garcons, atendentes e ainda diversos outros tipos de atividades. A imigração de milhões de pessoas vindas da Turquia é apenas uma das muitas ilustrações dos desafios sociais e econômicos da nova União Européia.
Retomando um pouco das aulas de história, existia uma Europa sob o domínio econômico e militar dos soviéticos que ruiu em 1989, com a queda do Muro de Berlim. Com efeito, o que se notou foi uma Europa Ocidental desenvolvida e forte economicamente, embrião da atual União Européia, e uma Europa Oriental em situação oposta. Assim, ao adentrar no bloco europeu, as nações orientais da Europa se uniram novamente aos países ocidentais, porém com muitas desigualdades. O maior exemplo dessa disparidade visualizei andando pelas ruas de Berlim, cidade por muito tempo dividida pelo famigerado muro. Os bairros do lado oriental de Berlim careciam de supermercados, hospitais, escolas. Os prédios são de arquitetura absolutamente igual.
Alguns carros daquele período que ainda circulam refletem na engenharia e mecânica o nível de atraso da Europa Oriental. O lado ocidental, através de impostos locais, ainda está pagando pela modernizaçao da antiga Alemanha comunista. Agora imaginem, colocar França, Itália, Alemanha, Espanha, Holanda no mesmo time de Polônia, Estônia, Letônia, Lituânia, República Tcheca, Eslováquia, Hungria, Eslovênia, Malta e Chipre - todas saídas de anos de socialismo.
Ainda são imensos os desafios que apontaríamos para a consolidação do bloco europeu neste início de século: a gigantesca disparidade econômica entre os antigos membros e os recém-chegados; a imigração dos europeus do leste para os países mais desenvolvidos, que pode desestabilizar e sobrecarregar as estruturas de bem-estar social das nações mais ricas. Esse é o desafio dos dirigentes europeus. A Copa da Alemanha deixa à mostra esse imenso laboratório de tensões sociais.