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• Exclusivo - [09h11 06/07/2006]

Tormentos de consciência
por Alexandre Polesi

Começou finalmente a campanha eleitoral. Os descendentes de italianos, naturalmente...

... torcerão pelo time de seus avós, mas não haverá o fenômeno psicanalítico que Galvão Bueno prognosticou na Globo – a transferência das paixões da torcida brasileira para o time de Felipão. A derrota de Portugal para a França faz do final da Copa, no domingo, um jogo como outro qualquer.

A partir de hoje, portanto, não haverá qualquer anteparo diversionista entre os eleitores e a dura realidade.

Decisão difícil e longamente adiada, como se viu nas pesquisas de opinião dos últimos meses, nas quais a decomposição moral de todo o sistema político parecia ter sumido do radar do cidadão comum.
Os eleitores não terão apenas de decidir friamente entre um candidato envolvido até o pescoço com o pior escândalo de corrupção da história da República e um candidato que representa a versão aguada de um governo percebido como elitista e impopular.

Votar ou não no presidente Lula em outubro exigirá um especial exame de consciência de cada um dos eleitores. Nada que lembre a euforia de 2002, quando a vontade de experimentar superava qualquer consideração racional.

Não tanto para o terço tradicional do eleitorado petista, já que este parece disposto a relevar qualquer desvio.

Mas para cada um dos eleitores daquela fração móvel do eleitorado que decidiu em favor de Lula em 2002, como o havia feito em 94 e 98 com Fernando Henrique Cardoso, votar ou não no PT, quatro anos depois, soará como o reconhecimento de um erro, ou a admissão de um ingênuo momento de fraqueza.

Esse eleitor dirá com seus botões: apostei na esperança contra o medo, e topei com o mensalão. Mas haverá um segundo raciocínio: devo mesmo me importar com tais escândalos, se minha vida pessoal melhorou? Estarei disposto a aturar mais quatro anos de platitudes tucanas?

Os eleitores portanto irão para as urnas atormentados pelo peso de uma decisão que em 2002 pareceu leve e fácil. Não apenas decidirão o futuro do país. Farão um exame de suas próprias convicções e valores morais. Quantos estarão dispostos a tanto sacrifício?


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