A falta de políticas habitacionais eficientes é, sem dúvida, um dos grandes problemas de Guarulhos, pois as favelas proliferam e famílias residem em condições acintosas à dignidade humana.
A par da ausência de novos loteamentos, pois são muitas as exigências para sua aprovação, surgem a cada momento invasões e “ocupações” irregulares, que acabam virando problemas para a administração pública, já que seus autores reivindicam infra-estrutura, independentemente de terem cometido atos irregulares ou flagrantemente ilegais.
Exemplo emblemático de como isso acontece é a invasão em curso no Jardim Cristin Alice, tema que vem sendo acompanhado pelo Olho Vivo há semanas.
Trata-se de área particular, entre a região do Cocaia e a vila Rio de Janeiro, onde existem muitas nascentes de água. Sendo Área de Proteção Permanente, não pode ser loteada. Os líderes da invasão, porém, foram rápidos em “cadastrar” os interessados em conquistar uma fração do terreno.
O problema deixou de ser apenas habitacional ou ambiental, para tangenciar a esfera policial. Funcionários da Prefeitura e a própria equipe do Olho Vivo têm sido ameaçados por líderes do movimento, sob a indiferença complacente das autoridades que, há semanas, apenas observam a evolução da irregularidade.
Casas de alvenaria estão sendo construídas no local há vários dias, mas a ação da Secretaria do Meio Ambiente mostrou-se pouca eficaz para impedir a devastação do terreno. As Secretarias de Habitação e de Desenvolvimento Urbano lavaram as mãos. E o Saae chegou ao cúmulo de fazer uma ligação de água no local, a pedido dos invasores.
Apenas nesta semana se viu alguma ação da Prefeitura, com retaguarda da Polícia Militar, ainda assim com resultados incertos. Firmou-se agora um ajuste de conduta com os invasores, sem nenhuma garantia de que o terreno será definitivamente desocupado.
O clima eleitoral, enfim, parece contagiar o Paço Municipal, e as autoridades optaram pela omissão, não pelo cumprimento da lei. Fazem de conta que o assunto não lhes diz respeito.
Se é fato que o crescimento desordenado é culpado por parte considerável dos problemas habitacionais de Guarulhos, não se pode mais admitir que as mesmas práticas continuem prevalecendo, sob pena de se perpetuar o caos urbano da cidade.