Não se trata, naturalmente, de duvidar das intenções do presidente do banco, o economista Demian Fiocca, que fez o anúncio na segunda-feira, numa concorrida palestra no Ciesp Guarulhos, mas em períodos pré-eleitorais convém ser cauteloso.
Falou-se no evento que em 60 dias a unidade local do BNDES estará em funcionamento, nas instalações do próprio Ciesp. Foi essa, pelo menos, a expectativa manifestada pelo próprio diretor da entidade empresarial, Daniele Pestelli.
Em 60 dias, por coincidência, a campanha eleitoral estará no auge. O governo federal e as autoridades municipais poderão dizer que atenderam a uma legítima aspiração dos empresários de Guarulhos, sem que as notórias dificuldades de acesso ao crédito do BNDES por parte das pequenas e médias empresas estejam necessariamente superadas.
O próprio Demian Fiocca, aliás, foi evasivo em suas respostas, quando indagado sobre temas espinhosos, como as exigências da burocracia do banco para aprovação de projetos, os prazos de carência e os limites de crédito para as pequenas empresas.
É bom lembrar também que um escritório local com um ou mais funcionários pode ser muito útil, mas não basta, por si só, para mudar a cultura de um banco ainda voltado aos megaprojetos e pouco afeito à realidade das empresas menores.
Considerando-se o retrospecto recente de promessas solenes e lançamentos de “pedras fundamentais” que, de tão repetidas, perderam credibilidade, os empresários de Guarulhos farão bem se moderarem suas expectativas, submetendo-as ao “teste das urnas” - vale dizer, esperando para ver se tais promessas ainda terão alguma consistência depois das eleições.