O pianista Vitor Araújo vem se destacando no cenário musical com seu estilo peculiar de apresentar e compor suas obras. Com apenas 18 anos, esse pernambucano de Recife já marca presença nos principais programas de TV e, ao mesmo tempo, causa polêmica com suas apresentações performáticas em que mistura MPB, música erudita e jazz.
Vítor Araújo passeia por um universo musical que inclui desde Cláudio Santoro e Edino Krieger, até canções do Radiohead, Tom Zé, Luiz Gonzaga e obras próprias. Em sua turnê nacional de lançamento do álbum “Dualdisc – TOC”, Vitor reservou dois dias para Guarulhos: 24, no Adamastor Centro; e 25, no Teatro Padre Bento, Os shows começam às 20h e serão gratuitos. Ele deu esta entrevista exclusiva ao Diário de Guarulhos, na sexta-feira, por telefone, em São Paulo.
Diário de Guarulhos – Como é “criar” uma nova forma de tocar em que outros estilos musicais são incorporados?
Vítor Araújo - Às vezes, passo a tarde toda trabalhando em uma música só, estudo bastante. Sou apaixonado por jazz e essa mistura me agrada, me divirto ao tocar e misturar esses estilos, acho que faço bem. Toco bastante jazz, música erudita e MPB, aliás, tudo o que eu gosto de ouvir. Gosto de rock também, mas não é o que eu toco. Só em uma música minha que eu coloquei um trecho de “Paranoid Android”, do grupo Radiohead.
DG – Como lida com as críticas?
VA – Tenho mais dificuldade em receber os elogios, fico sem graça quando uma pessoa chega e fala que gostou. Tem coisas que eu não concordo muito. Por exemplo, tem gente que diz que sou genial e inovador, mas eu não acho. Como também existem os que falam coisas negativas – algumas têm fundamento e eu tento observar; mas, a outras, nem dou importância.
DG – E o que sente ao tocar?
VA – Não sei expressar com palavras. Essa pergunta respondo tocando (risos). O que eu sinto é aquilo que o público vê quando estou no palco. Costumo ver poesia em tudo na vida e, quando estou tocando, passo isso para o piano. Assim, também justifico o meu estilo performático: veio comigo.
DG – Como começou?
VA – O jazz eu conheci quando comecei a estudar música – desde os dez anos – mas ninguém me orientou. Meu pai gosta muito de música e ele sempre ouviu muito, mas eu me interessei por acaso. Lembro-me que ganhei um teclado com sete anos e comecei a tocar.
DG – Como é o seu processo de criação? Quais são suas influências?
VA - Passo um bom tempo do dia no piano, estudo técnica e música de compositores, nada fixo. As minhas tardes, geralmente, são dedicadas ao piano. Faço isso tanto pelo trabalho – sou músico – quanto pelo prazer. Entre minhas referências musicais, estão Villa-Lobos, Chico Buarque, Tom Jovem, Chopin e Beethoven, além dos compositores de jazz, como Miles Davis e John Coltrane.
DG – Você também cantou num de seus shows.
VA – Eu senti saudade da minha cidade. Cantei só para exemplificar a música que eu viria a tocar, não é uma coisa que faça. Só canto para a minha namorada (risos).
DG – Você se mostra um jovem muito compenetrado e profissional. Como é lidar com isso?
VA - Eu faço tudo que uma pessoa normal faz. Namoro, vejo filme, só não gosto de TV – odeio. Às vezes, me sinto meio velho, não gosto muito de farra.
DG– Durante o seu show, você se mostra bem poético ao fazer comentários sobre seu trabalho. Onde busca essas inspirações?
VA – Sinceramente, sou assim no palco. Falo o que vem à cabeça e o que sinto vontade. São coisas de que eu gosto, minha visão sobre a arte e o mundo. Sou tímido e, quando subo ao palco, deixo isso de lado. Afinal, não deixo de ser um pouco personagem. Todo artista tem que ser um pouco mostrado – estou lá para ser visto. Sou sincero com o meu público e expresso isso não só com a música, mas também com as palavras.