Segundo o coronel Carlos Minelli de Sá, chefe do Serviço Regional de Proteção ao Vôo de São Paulo, as interferências de rádios-pirata no tráfego aéreo, tanto em Guarulhos como em Congonhas, vêm aumentando. No dia 23 do mês passado, houve problemas no Aeroporto Internacional de Guarulhos por causa de interferência de rádio-pirata na comunicação entre a torre e pilotos. O mesmo problema repetiu-se na última sexta-feira, 4, quando uma aeronave tentava pousar em Cumbica. A emissora ilegal foi tirada do ar e receberá sanções legais.
Atualmente, de acordo com Minelli, as médias registradas por mês - englobando os aeroportos da Capital e Grande São Paulo - são de 65 interferências. No mesmo período do ano passado, eram 32 por mês. "O número dobrou. Se continuar aumentando, a situação vai ficar insustentável", disse, em entrevista exclusiva ao Olho Vivo.
Na opinião de Minelli, a Aeronáutica vem cumprindo seu papel no que diz respeito a informar a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) sobre as interferências. A Anatel, segundo ele, também vem fazendo sua parte no sentido de fiscalizar as rádios-pirata, porém, a legislação teria de ser revista, com penalidades mais severas. "A legislação deveria ser mais pesada, mais dura, pois estas interferências, quase que diárias, afetam a operacionalidade do sistema, ocasionando atrasos e imensa dor-de-cabeça nos controladores de vôo e pilotos, além de poder até interromper as operações. É um desgaste constante", afirmou.
Conforme explica o coronel, os controladores de vôo trabalham com uma segunda freqüência, que é a reserva. No entanto, as interferências de rádios-pirata chegam a comprometer a freqüência reserva, levando os controladores a acionar os técnicos da Aeronáutica, que trabalham 24 horas junto deles, justamente para as situações de emergência. "Estes momentos de busca de freqüências alternativas obrigam os controladores a dar maior espaçamento nas aeronaves, comprometendo pousos e decolagens (atrasos nas operações) até que a situação se normalize."
Segundo Minelli, na semana passada, a Anatel autuou três rádios que operavam ilegalmente. "Hoje (terça-feira) de manhã o Controle de Apromimação, no terminal de São Paulo, teve interferência de rádios-pirata. Estas interferências prejudicam a comunicação entre piloto e controlador de vôo e põem em risco a segurança dos vôos. É importante que estas rádios que trabalham com potências acima das legais, tenham consciência do perigo que representam e de que estão erradas", ressaltou.
DENÚNCIAS As denúncias sobre operações ilegais como as de rádio-pirata devem ser comunicadas à Anatel pelo telefone 0800 33 2001, ou mesmo no site da Agência, pelo www.anatel.gov.br ou até pessoalmente na Sala do Cidadão, que, em São Paulo, fica na rua Vergueiro, 3073, Vila Mariana.