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• Exclusivo - [11h48 17/03/2008]

"Esse "problema" vai me acompanhar para sempre"
por Nilsa Tomé, da Redação

O ator global fala do sucesso de sua peça, que estréia em Guarulhos na quinta-feira, e de sua trajetória de produtor e autor


SOFREDOR
Sanderson é o corintiano que vende chiclete
na porta do teatro

O ator Marcelo Médici ganhou projeção nacional ao interpretar o gago Fladson na novela “Belíssima”, da Globo. Porém, desde 2004, vem se destacando com a montagem – de autoria própria – “Cada Um Com Seus Pobrema”, comédia que estreará na quinta-feira, no Adamastor Centro, em Guarulhos. Em entrevista exclusiva ao Diário de Guarulhos, feita por telefone de Porto Alegre na sexta-feira, ele comenta o sucesso de bilheteria e fala sobre sua carreira de ator e produtor.

Diário de Guarulhos – Você imaginava que “Cada Um Com Seus Pobrema” seria esse sucesso?
Marcelo Médici - A gente abria a bilheteria às 14h e, à noite, os ingressos da semana toda já estavam esgotados. É uma benção na minha vida. Quando eu queria ser ator, queria fazer novelas, mas esse espetáculo é tão meu, me trouxe muitas alegrias! Não é só o retorno financeiro, mas o prazer de saber que as pessoas gostam. Enquanto eu tiver idade para fazer, vou fazer. Estará sempre no coração. É um presente da vida.

DG – Como você lida com esse sucesso?
MM - Isso ocorre sempre que você batalha por algo. Mas não dá para sentar num sucesso. Fico tenso com tudo isso e procuro sempre mais. Aliás, essa atenção é a mesma com a qualidade do espetáculo. Sou centralizador total e chato, porque sou perfeccionista e prezo pela qualidade das coisas que faço. Acompanho tudo de perto. 

DG – É verdade que, após assistir à peça, Silvio de Abreu resolveu convidá-lo para “Belíssima” (2005/2006)?
MM – Ele me deu a oportunidade em “Belíssima”, mas já tinha me convidado para participar de “As Filhas da Mãe” (2001/2002). Na época, como eu era funcionário do SBT – tinha um quadro em “A Praça é Nossa” – não pude fazer. Daí, quando produzi o “Cada Um...”, até convidei o Sílvio, mas ele nunca ia. Um dia, ele me ligou e me convidou para integrar o elenco de “Belíssima”. Fiquei surpreso.

DG – Como você criou os personagens?
MM – São sete personagens, fora o autor, que é o fio condutor, e algumas vozes com as quais eu brinco. A maioria das histórias é verídica, aconteceram comigo ou com pessoas próximas, só o Mico Leão é que é invenção. Tudo vem da minha observação, não sentei e criei, mas captei coisas ao longo da vida, que serviram para compor esses personagens. Como ator, busco coisas na memória, nem sempre tenho tempo para vivenciar coisas relacionadas a um determinado personagem. Acho que um ator tem de circular por todos os lugares.
DG – Qual dos esquetes agrada mais o público?
MM – Não tenho um específico. Depende de uma série de fatores. Por exemplo: as adolescentes gostam mais da apresentação infantil; e os homens preferem o Sanderson.

DG – A vida de ator não é fácil. Já pensou em desistir? 
MM – Tem uma cena da peça em que o meu personagem diz: estou pensando em desistir da profissão. Isso tem a ver com o lance de ser ator, realmente não é fácil. Mas hoje também sou produtor, não estou mais vulnerável a um convite. Eu mesmo posso traçar o meu caminho. Muitos atores têm sorte em fazer determinados trabalhos, principalmente por serem bonitos, mas isso pode levar ao sucesso ou não. Eu sinto que antigamente um elenco de novela era feito 90% de atores consagrados, 5% de lançamentos (novos atores) e 5% de pessoas bonitas. Hoje, percebo que inverteu tudo. 

DG – E depois das apresentações em Guarulhos? 
MM – Fico em cartaz (junho a agosto), no Teatro do Shopping Frei Caneca. Logo em seguida, estréio (em setembro) “Irma Vap”, com direção da Marilia Pêra, no mesmo teatro. Mas, talvez eu volte com o “Cada Um...”. É uma montagem que vai me acompanhar sempre!

DG – Você já conhece Guarulhos?
MM – Conheço o aeroporto apenas, mas fico à vontade porque Guarulhos é bem próximo de São Paulo, a lingüística é a mesma. Não vejo diferença no público, acredito que a identificação será imediata. Inclusive, esses dias, comprei um CD e o vendedor falou que era de Guarulhos e que iria conferir o espetáculo. Achei muito legal.



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