Em entrevista exclusiva ao Olho Vivo, o dentista e diretor da ONG libanesa Associação Visão para o Desenvolvimento, Reabilitação e Cuidado (Vision Association for Development, Rehabilitation & Care), Nasser Abou Lteif, intensificou as relações Líbano-Brasil e divulgou a Campanha de Ajuda Humanitária aos Feridos dos Bombardeiros, Minas Terrestres e Granadas no Líbano. O objetivo é conseguir apoio de entidades, libaneses residentes aqui e do próprio governo brasileiro para ajudar na reabilitação de feridos no conflito que assolou o Líbano em julho, além de levantar a bandeira na luta contra o uso de armas indevidas nas guerras.
O convite para visitar o Brasil partiu do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Em solo brasileiro há 12 milhões de libaneses; sendo a maior concentração deles fora do Líbano.
Desde que chegou, no sábado, Lteif tem visitado entidades voltadas à comunidade libanesa, empresários e autoridades políticas, tanto na Capital quanto Guarulhos, na companhia de Alli Baruk, presidente da União dos Estudantes Muçulmanos no Brasil, que reside em Guarulhos. Além da doação em dinheiro, a intenção é conseguir arrecadar cadeiras de rodas, próteses mecânicas, muletas, macas, colchão de água e também equipamentos para fisioterapia. “Há 4,5 mil pessoas feridas no conflito, entre bombas, granadas e minas terrestres. As pessoas tiveram membros amputados ou ficaram paralisadas. A maioria é formada por crianças, de 4 a 13 anos, além de mulheres e idosos.
Destes, 55% são agricultores ou pastores de ovelhas”, informa.
Fundada oficialmente em 1993, a Associação Visão tem três sedes no Líbano: uma no Leste do Bekaa, no Monte Líbano e no Sul do país. Será inaugurada uma quarta na região Leste. Conta com o trabalho de, aproximadamente, 350 voluntários, que ministram palestras e ajudam a comunidade a se prevenir de minas terrestres, bombas, granadas, além de dar apoio psicológico e reabilitação às vítimas.
Conforme explica Lteif, depois do conflito de julho, o Líbano convive com diversos tipos de bombas, minas e granadas, lançadas por aviões israelenses, dentro de mísseis. No caso das granadas, as de última geração têm formato diferente – muitas vezes camufladas como pedra, fruta, canetas e brinquedos – e atraem a curiosidade, principalmente das crianças. “Estes explosivos só detonam em contato com a temperatura do corpo humano”, explica.
Aqui no Brasil, a população pode ajudar na campanha, também, “adotando” uma vítima no Líbano, custeando estudos ou os gastos dela. “Na verdade, é uma espécie de ‘empréstimo’, pois a vítima, assim que reintegrada à sociedade, vai trabalhar para devolver o dinheiro empregado nela para ajudar outra pessoa”, destaca o diretor da ONG.
AJUDA Contatos no Brasil devem ser feitos com Alli Baruk pelos telefones 9721-7243 e 8218-8281 ou com Nadin, pelo telefone 9664-4737. Quem quiser conhecer o trabalho da Associação Visão deve se corresponder com Nasser Lteif (ele se comunica em francês e árabe) pelo e-mail vision_lebanon@hotmail.com