Agora, é o próprio presidente da CPI dos Sanguessugas quem o diz: o dinheiro capturado pela Polícia Federal com os petistas envolvidos no falso dossiê contra o PSDB ”tem origem criminosa”.
O fato de o deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ) ter reconhecido esta circunstância acrescenta um elemento perturbador para o desfecho da campanha presidencial em curso.
As perguntas em torno do caso tornam-se inevitáveis, e a resposta a elas, urgentes.
Se o dinheiro é criminoso e todos os envolvidos são do PT, não é razoável supor que tenha origem nas verbas de campanha eleitoral do partido?
Neste caso, serão verbas lícitas ou “não contabilizadas” - aquelas que o ministro Márcio Thomaz Bastos chamou também de “criminosas”?
Serão verbas do comitê da campanha do senador Aloízio Mercadante, como se pode inferir da participação no episódio de Hamilton Lacerda, ex-assessor do candidato petista ao governo de São Paulo?
Ou serão do comitê pela reeleição do presidente Lula, como sugere a participação no caso do ex-churrasqueiro presidencial Jorge Lorenzetti e do ex-coordenador nacional da campanha, deputado Ricardo Berzoini (SP), para não mencionar o ex-assessor Freud Godoy?
Numa hipótese perfeitamente plausível, pode-se supor que o presidente Lula se reeleja com tranqüilidade no dia 29, como indicam as pesquisas, e poucos dias depois o país seja surpreendido com revelações desagradáveis a respeito da origem do dinheiro.
Neste caso, teremos um presidente consagrado pelo voto, mas sub judice, configurando uma crise institucional em potencial, antes mesmo do início do novo governo. O país não pode correr esse risco.
É exatamente por este motivo que as apurações da Polícia Federal e do Ministério Público em torno do caso não devem se submeter ao calendário eleitoral. A verdade tem de surgir o quanto antes.
Tais dúvidas – e suas respostas – dizem respeito a toda a sociedade brasileira, e não apenas ao candidato da oposição.