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• Exclusivo - [12h04 24/04/2008]

“O teatro expõe o ator o tempo todo”
por Nilsa Tomé, da Redação

Em entrevista exclusiva ao Diário de Guarulhos, Eduardo Moscovis fala de sua relação com a tevê, o teatro e o cinema

O ator Eduardo Moscovis vem se destacando, cada vez mais, no cenário da dramaturgia. Atuou em peças como “Eles Não Usam Black Tie”, “Greta Garbo”, “Norma” e “Tartufo”. Dessas, ele também produziu as duas últimas. Agora, Moscovis chega à cidade para a curta temporada de “Por Uma Vida Um Pouco Menos Ordinária”, que também produz. Em entrevista exclusiva ao Diário de Guarulhos, ele comenta sobre sua relação com o teatro, a tevê e o cinema, seu natural amadurecimento como ator e como lida com elogios e críticas. 

Diário de Guarulhos – Além de atuar em “Por uma Vida Um Pouco Menos Ordinária”, você também produz o espetáculo. Essa é uma tendência no meio artístico?
Eduardo Moscovis - Esse é o terceiro espetáculo que produzo. O primeiro foi “Norma” e, depois, “Tartufo”. No meu caso, sentia falta de realizar projetos com a minha cara, até que surgiu “Norma”. Era um texto de um amigo, que não tinha minha cara, mas que sabia que conseguiria realizar com recursos próprios. Na verdade, faço a produção em sociedade com Sandro Chaim e ele faz toda a parte burocrática. Mas isso dá sim uma autonomia e, por outro lado, faz você arcar com uma série de responsabilidades.

DG – Existe alguma relação entre essas três peças que você produziu?
EM – “Por uma Vida...” é muito próxima de “Norma”, tem uma estrutura menor, mas é próxima. Além disso, são textos contemporâneos e atuais. Mas “Tartufo”, não. É  bem diferente, é uma comédia clássica de Molière, com outra estrutura.

DG - Em Tartufo, você tem boa desenvoltura em palco. Como é sua relação com o teatro, tevê e cinema?
EM - Olha, acho necessário alternar os meus trabalhos nos veículos. Eu sinto essa necessidade e isso é tão bom pra quem faz quanto para quem assiste. O teatro, por exemplo, expõe e exercita o ator de uma forma diferente da TV. Você vê o ator o tempo todo e as reações dele em cena. Sem contar que o teatro também é um desafio, porque tem muitas situações de imprevistos e palcos diferentes. Tudo isso faz com que a gente ganhe uma maturidade maior.

DG - De um tempo pra cá, você vem se dedicando bastante ao teatro e ao cinema. E a TV, como fica?
EM - Na verdade, eu venho conciliando bastante o teatro com a tevê e, desde 1999, vinha fazendo teatro e novela, às vezes. Por exemplo: “Cravo e a Rosa” fiz junto com “Black Tie”, entre outros. O que ficava complicado de fazer era cinema, por conta das gravações. Agora, quero manter o teatro e abrir mais espaço para o cinema. E tevê? Bom, por enquanto, participo de três episódios da série Alice, da HBO.

DG - No filme “Sem Controle”, sua atuação foi super elogiada. Como é desenvolver papéis complexos como o do personagem Danilo? Além, é claro, de discutir um tema polêmico – no filme – como a pena de morte? EM - O “Sem Controle” foi um filme muito bem preparado pela diretora, Cris D’Amato. Por muito tempo, ela – apesar de ser o seu primeiro longa – já sabia o que queria. Outra coisa: a Cris tem um diálogo direto com os atores, acho que a participação dela foi fundamental. O que eu penso, em primeiro lugar, é que o trabalho tem que cair no meu gosto. Tenho que gostar do projeto, da proposta ou das pessoas envolvidas. Nesse filme, gostei muito da proposta e achava um personagem desafiador, difícil e complexo. A medida em que o elenco foi se formando, ficou muito bom. Isso também tem muito a ver com a Cris, ela tem a sensibilidade de cuidar do projeto.

DG – E como foi receber as críticas e os elogios desse trabalho?
EM - A nossa profissão nos deixa exposto o tempo todo, até quando não estamos trabalhando. Eu aprendi a lidar com a crítica muito cedo e gosto de ser criticado, desde que seja feito com embasamento e educação. Nesse trabalho (Sem Controle), fui elogiado, mas também recebi críticas duríssimas. A crítica ajuda quando é uma observação a favor do espetáculo e a favor do seu trabalho. Mas isso vale na vida também. Quando algum amigo ou familiar faz uma crítica, ela é sempre bem-vinda. Agora, quando é ruim, dependendo de como é falada, de forma indelicada ou no momento inapropriado, é normal não gostar.   

DG - A visão da população sobre o cinema brasileiro mudou bastante, como você vê esse boom atual? O que você acha que mudou?
EM - Acho que tem um desenvolvimento muito claro no número de produções, bem maior do que há dez ou 20 anos, quando tínhamos um ostracismo grande. A diversidade de filmes hoje é grande; os festivais de cinema mantêm a curiosidade e fazem com que o costume de observação e análise sejam estimulados. Sem contar que as salas de projeção também evoluíram bastante e estão mais preparadas para receber o cinema brasileiro. Hoje, a sonoridade está bem melhor, eles têm a preocupação com o áudio e o som, coisa que não existia antes, já que a maioria dos filmes tinha legenda. 



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