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• Geral - [08h27 08/09/2006]

Guarulhos é o maior poluidor do Tietê
por Keila Baraçal

Sabesp aponta que a cidade despeja mil litros por segundo de esgoto sem tratamento

Mais de dez anos se passaram desde que começou a primeira etapa do “Projeto Tietê”, coordenado pela Sabesp, cujo objetivo é despoluir o rio, por meio da coleta e tratamento de esgoto da Região Metropolitana de São Paulo. Guarulhos, que tem a segunda maior população do estado foi o único a não aderir às negociações e ainda despeja 100% de seu esgoto in natura no rio Tietê, cerca de mil litros por segundo, conforme levantamento feito pela Sabesp, que construiu estações de tratamento no Parque Novo Mundo e em São Miguel Paulista, mas quer que Guarulhos construa os coletores-tronco até elas.

O Ministério Público (MP) mostra-se preocupado com a situação. “Nós temos a obrigação de cobrar a preservação do meio ambiente. É uma exigência constitucional”, explica o promotor do Meio Ambiente de Guarulhos, Zenon Lotufo. Ele defende que o município se integre à despoluição do rio. “Não tem como despoluir o Tietê sem a contribuição de Guarulhos, isso acaba prejudicando também outros municípios”, afirma Lotufo.

Segundo ele, o MP move, há quatro anos, um processo contra a Administração, por não tratar os dejetos da cidade. 

A explicação dada pelo superintendente do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Guarulhos (Saae), João Roberto Rocha de Moraes, é que existe um acordo pendente entre a autarquia e a empresa. “A Sabesp precisa dar um retorno sobre o comunicado que nós enviamos em junho do ano passado a respeito de nossa participação no ‘Projeto Tietê’”.Segundo ele, o Saae propõe algumas mudanças no acordo: destaca que os bens que forem construídos (coletores-tronco, por exemplo) durante o programa permaneçam na cidade e sejam “retidos ao patrimônio do Saae Guarulhos”.

Questionado sobre a dívida com a Sabesp, o superintendente evitou falar em valores. Limitou-se a dizer que desde 2001, a autarquia tem pago o valor que entende que seja o correto.

“Nós retomamos o pagamento. A idéia é chegar num acordo o mais breve possível com a Sabesp, de forma que a tarifa vai cair e, conseqüentemente o valor da dívida cairá”.

A assessora da Diretoria da Sabesp, Nercy Donini, também não revelou o valor da dívida, mas confirmou que o pagamento é feito “esporadicamente”.

Quanto à inclusão de Guarulhos no “Projeto Tietê”, Donini é enfática: “O Saae só fica no discurso. Se quer fazer parte do projeto, tem que pagar porque todas as outras cidades também pagam”, argumenta.
Há outras cidades na região metropolitana que administram o saneamento. Santo André capta 96% do esgoto e trata atualmente 40% desse total. 

Guarulhos pede um prazo de 40 anos para equacionar o problema. “Aguardamos a liberação de licenças ambientais do Estado, para iniciar a construção de três estações de tratamento "de esgoto”, afirma Moraes,  do Saae.


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