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• Geral - [23h50 10/01/2008]

Advogados criticam sentença de juiz e preparam apelação
por Lourdes Dias, da Redação

«Justiça não foi feita», diz representante de vítimas; «juiz não analisou provas e se precipitou», diz defensor de réus

Os advogados Cristiano Medina e João Carlos Pannochia, de acusação e defesa, respectivamente, no processo sobre a tragédia da “Ladies First”, balada ocorrida em um galpão da Paulo Faccini, em 2004, que terminou com a morte de seis jovens e mais de cem feridos, contestam a decisão do juiz Rodrigo César Muller Valente e vão apelar da sentença.

Valente condenou por homicídio culposo (sem intenção de matar) os réus Wilson Gonçalves, Silvio Luiz Rodrigues de Camargo, Arlécio Alison Morais, Heric Fabiano Dias e Cláudio Pereira de quatro a oito anos de prisão em regime semi-aberto.

Cristiano Medina defende a Associação das Famílias Vítimas do Desabamento (Afavide) e João Carlos Pannochia tem como cliente o engenheiro Silvio Luiz Rodrigues de Camargo, responsável pela edificação do prédio que dava acesso ao local da tragédia.

Os advogados fizeram considerações semelhantes ao resultado da sentença. Medina disse que “há inúmeros vícios e as argumentações finais sequer foram analisadas pelo juiz”. Ele diz que se o juiz tivesse se atentado às provas citadas, mudaria de culposo para doloso o crime em questão. “A Justiça não foi feita”, ressalta Medina, que também não aceita a absolvição de Morais, Dias e Pereira da acusação de corrupção de menores.

Medina disse que o erro partiu do Ministério Público que se posicionou de forma equivocada. “O MP não deu oportunidade à sociedade guarulhense julgar.”

Panocchia afirma que o juiz incorreu em “vários erros que serão explorados pela defesa”. Observa, ainda, que “o juiz não analisou as provas e se precipitou ao dar a sentença”. Para ele, a lei não foi aplicada. “Na minha concepção a sentença causa muitos danos às famílias ao criar uma falsa expectativa. A resposta à sociedade é falsa, pois essa sentença será mudada no tribunal, que poderá dar uma pena mais branda. Acredito que a última resposta será a prescrição”.

Para os advogados, a sentença causa insegurança jurídica. Eles afirmam que irão defender suas posições depois de intimados oficialmente. “A sentença tem que ser no mínimo inteligível. Qualquer advogado que analisar a sentença fará crítica. Não porque condenou ou absolveu, mas porque os fundamentos são fracos”, afirmou Panocchia.  

Memória
A tragédia ocorreu na madrugada do dia 29 de agosto de 2004, em galpão localizado na avenida Paulo Faccini, 421, Centro. O mezanino cedeu e matou seis adolescentes. Além disso, cerca de 100 pessoas tiveram lesões corporais.
 
» Leia Editorial "Justiça em Guarulhos"



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