O acordo proposto pelo megatraficante colombiano Juan Carlos Ramirez Abadía à Justiça brasileira foi negado na tarde desta quarta (16) pelo juiz federal Fausto Martin de Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal.
Abadía ofereceu, segundo o Ministério Público Federal, US$ 35 milhões, mais a delação de quatro comparsas – um deles atuando no Brasil e três no Panamá – para que a Justiça brasileira facilitasse sua extradição para os Estados Unidos. A legislação brasileira de combate à lavagem de dinheiro abre a possibilidade deste tipo de acordo.
O megatraficante, preso em há sete meses, é considerado o chefe do cartel do Vale do Norte, o maior em atuação no mundo. Ele é acusado nos Estados Unidos de mais de 300 assassinatos e tráfico de drogas, mas espera obter a redução de sua pena com um acordo de delação premiada e a entrega da maior parte de seus bens, avaliados em cerca de US$ 1 bilhão. No início do mês, duas mansões e uma de suas fazendas no Brasil foram leiloadas. Ele também queria garantias de que não teria de cumprir pena no Brasil. A decisão de extradição é do Superior Tribunal Federal.
Abadía também chegou a pedir sua transferência para uma penitenciária no interior de São Paulo, em Itaí, enquanto aguardaria a extradição, e a extinção da pena contra sua mulher, Yéssica Paola Rojas Morales. Morales é acusada de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e uso de documentos falsos.
A procuradora Thaméa Valiengo não se opôs ao acordo com o traficante, uma vez que, nos Estados Unidos, ele responde por crimes como homicídio e tráfico de drogas, o que impediria que ele deixasse de cumprir pena. No Brasil, Abadía é acusado de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e uso de documentos falsos.