Opinião - [08h42 05/09/2006]
A lei e a ordem
por Da Redação
Segurança deveria ser prioridade zero para Guarulhos
A descoberta de uma central telefônica clandestina num bairro periférico de Guarulhos, feita pela Polícia Civil na quinta-feira passada, mostra que o crime organizado continua a ter bases operacionais ativas na cidade.
A central desmantelada numa casa discreta no Parque Jandaia, na região dos Pimentas, seria, conforme vários indícios, utilizada pelo Primeiro Comando da Capital, o famigerado PCC, para monitorar as ações dessa facção criminosa na Grande São Paulo.
A Polícia deteve quatro pessoas e apreendeu farto material de comunicação clandestina, como celulares, aparelhos telefônicos convencionais e rádio-comunicadores, além de armas e drogas. A ação eficiente da Polícia deve ser aplaudida, mas, ao mesmo tempo, servir de alerta.
Com uma população de 1,2 milhão de habitantes, milhares de jovens sem perspectivas, extensa área territorial e amplas regiões onde o poder público mal põe os pés, Guarulhos há muitos anos se converteu numa das cidades mais violentas de São Paulo.
Só esse retrospecto seria motivo suficiente para uma política de segurança mais coerente e rigorosa do que a atual. Mas não é o que acontece. As necessidades de policiamento ostensivo de Guarulhos ainda estão abaixo do razoável, mesmo pelos padrões da Grande São Paulo.
E a Secretaria Municipal da Segurança, criada na primeira gestão de Elói Pietá, pouco tem feito, além de proteger os prédios municipais e de atuar no trânsito, multando e multando. Precisa participar das ações de segurança pública da cidade e colaborar de forma integrada com as polícias civil e militar do Estado.
O antagonismo político entre a Prefeitura petista e a administração estadual tucana tem prejudicado, há anos, as condições de segurança na cidade. A conseqüência é que a criminalidade ainda é perversa: 30 homicídios por dia, ou seja, um por dia.
Esse é um tema que terá de ser cobrado do futuro governador. Os canais de comunicação entre o município e o Estado terão de ser reabertos, sob pena de Guarulhos tornar-se gradativamente uma terra de ninguém, sem lei e sem autoridade. Esta é a prioridade zero do município.
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