Cenas deprimentes voltaram ao plenário da Câmara Municipal de Guarulhos, na sessão de quinta-feira. A vereadora Luíza Cordeiro e o vereador Geraldo Celestino têm o hábito de levar para a tribuna do Legislativo as diatribes locais que têm em seu reduto eleitoral, o Parque Cecap.
À guisa de investigar suposto caixa 2 do PSDB de Guarulhos, a vereadora apoderou-se de um caderno de anotações do jornalista Roberto Samuel, assessor de Celestino. Da tribuna, ela insinuou que valores ali anotados ensejariam arrecadações. Armou-se um tumulto e a caderneta desapareceu.
A representante do PCdoB deve pensar que está na Albânia de partido único, nos áureos tempos em que o comunismo ainda era um sonho de muitos e pesadelo de tantos outros. Fala-se muito de democracia, mas nas atitudes percebe-se o traço autoritário dos que só enxergam o seu ideário como verdade absoluta.
Ainda que houvesse indícios mais fortes de que haja um caixa dois no PSDB e que os tucanos guarulhenses fossem tolos para controlar esses valores em uma simples caderneta manuscrita, que poder tem a vereadora para reter algo que não lhe pertence? E se alguém da direita usasse anotações pessoais para incriminar um militante da esquerda? Abreviações são comuns quando jornalistas cobrem qualquer assunto.
A disputa da Presidência da República, tendo de um lado o líder petista e de outro o ex-governador tucano, tem servido de combustível para a guerra de nervos que os dois edis travam. O Legislativo deve servir para assuntos mais sérios. Por exemplo, passar a exercer na plenitude suas atribuições, entre as quais a de fiscalizar o Executivo, ao invés de ser um apêndice do outro poder.
Quanto ao Parque Cecap, os dois vereadores fariam melhor se unissem esforços, por exemplo, para definir o destino das áreas remanescentes, dando-lhes utilidade; melhorar as condições da área em frente ao clube e ali promover atividades para a comunidade.