A alvissareira notícia de que Guarulhos pode sediar um autódromo internacional já causa grande polêmica na cidade.
Ao mesmo tempo em que é encarada como um factóide do secretário de Esportes, Júlio Filgueiras, a novidade é festejada por pessoas que vêm aí uma oportunidade para a cidade firmar-se como pólo gerador de eventos e de turismo, com todas as conseqüências positivas que isso pode trazer à economia local, especialmente para a rede hoteleira e a oferta de empregos.
Desde o início, o secretário informou tratar-se apenas de um estudo de viabilidade, cujo relatório deve ser entregue até o final do ano ao prefeito. Os recursos teriam origem primordialmente na iniciativa privada, mas não ficou claro em qual proporção.
Questiona-se se a Prefeitura terá de bancar a infra-estrutura de acesso ao local e se haveria verbas para a iniciativa sem prejudicar o atendimento das muitas carências da cidade.
A expressão-chave para definir se Guarulhos terá mesmo condições de abrigar o autódromo sucessor de Interlagos é custo-benefício.
Terão de ser postos na balança todos os fatores: quais as vantagens que a cidade poderá ter com sua construção, quais os benefícios para a população e, por outro lado, os danos ambientais que poderá causar, os investimentos públicos necessários e o impacto no sistema viário.
Será motivo de orgulho para Guarulhos e para os guarulhenses contar com um autódromo, que levará o nome da cidade ao mundo todo. Já dá para imaginar o circo da Fórmula 1 envolvendo a população local; a agitação no comércio, a lotação dos hotéis, o clima de festa, etc.
Entretanto, é preciso superar a dura realidade das projeções econômico-financeiras e seus efeitos sociais e ambientais. Embora não sejam excludentes, mais importante do que o sonho quase megalomaníaco de um autódromo é o funcionamento dos expressos ferroviários ligando o Aeroporto e o Parque Cecap a São Paulo.