Agora, é o próprio presidente da Infraero, Sérgio Gaudenzi, quem garante (e por escrito) que o governo federal decidirá talvez ainda hoje o futuro da terceira pista do Aeroporto de Guarulhos (ver Página 5).
Se acreditarmos nessa versão, o ministro da Defesa Nelson Jobim sairá de uma reunião na Casa Civil da Presidência da República, nas próximas horas, com a definição tantas vezes adiada.
É ver para crer, pois, nessa matéria, a confusão é a regra. A reformulação da infra-estrutura aeroportuária de São Paulo virou uma batata-quente nas mãos do ministro.
Já estamos em 2008, e as cinco mil famílias que moram ao redor do Aeroporto continuam sem saber como será seu futuro.
A ânsia de dar alguma satisfação ao país indignado com o caos aéreo, principalmente depois do acidente com o Airbus da TAM, no dia 17 de julho, levou as autoridades do setor a produzir uma saraivada de declarações contraditórias.
Como se recordam, em agosto, Nélson Jobim havia prometido que em até 45 dias o projeto do novo Aeroporto de Guarulhos ficaria pronto. O prazo foi superado, e nada aconteceu.
Em setembro, diante de uma comitiva de políticos e moradores do município, reunidos em seu gabinete em Brasília, o ministro voltou a prometer uma solução para até 30 dias depois. Também em vão.
No final de novembro, o assessor especial da Infraero, Edgard Brandão Jr., garantiu que a decisão não passaria daquele mês. Passou.
No fim do ano, houve ainda uma surpresa. O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, admitiu que a mítica terceira pista de Guarulhos poderia não ser construída.
Os técnicos teriam concluído que seria mais vantajoso reformar e ampliar as duas pistas disponíveis, evitando-se o ônus das desapropriações, estimadas em R$ 600 milhões.
O fato é que os guarulhenses cansaram-se de tanta indecisão. Poderão acreditar no governo, desta vez?
Não apartem!
Deixem Dirceu brigar com seus pares, pelo bem do Brasil
O ex-“capitão do time” do governo Lula, José Dirceu, deve estar se sentindo abandonado por seus companheiros de estripulias.
Líder dos 40 “quadrilheiros” do mensalão, cuja denúncia foi aceita pelo Supremo Tribunal Federal, o ex-ministro da Casa Civil e ex-deputado federal cassado distribuiu vários avisos à praça, na entrevista à revista “Piauí” deste mês.
Nela, falou mal de seus pares do PT, do marido de Marta Suplicy e até de Hugo Chávez, com direito a menções ao filho do presidente (embora tenha desmentido este ponto).
Que briguem à vontade! Talvez daí saiam mais algumas verdades...
Seu primeiro alvo foi o PT gaúcho. Dirceu endossou a suspeita de que a sede estadual do partido foi construída com dinheiro de caixa 2.
Confirmou, portanto, que a prática de lidar com doações clandestinas atinge até a seção “ética” do partido, aquela do ministro da Justiça Tarso Genro, do ex-ministro Olívio Dutra e do ex-prefeito de Porto Alegre, Raul Pont.
Ele se ocupa também em dar cobertura às atividades que tornaram célebre o ex-tesoureiro Delúbio Soares.
O “pobre Delúbio” (sic) tinha de à ir luta, sempre atrás de mais doações para atender à voracidade dos “éticos”. “Eles dizem que o Delúbio era o homem da mala. Só que a mala era para eles”, afirmou Dirceu.
O que quis dizer com isso? Ora, que o mutismo do ex-tesoureiro poderá ser quebrado ou não na exata medida do grau de solidariedade do partido com os indiciados do mensalão.
Sobrou até para presidente Lula, com as referências cifradas a seu filho, Fábio Luiz, o Lulinha, e aos contratos da empresa deste, a Gamecorp.
Temos aqui o ex-ministro em sua melhor forma, mandando recados com precisão cirúrgica. Aliás, o título da entrevista poderia ser muito bem: “Não me deixem só, senão...”
Ele tem razão. Não devemos esquecê-lo nunca, pois, aos poucos, começa a contar o muito que sabe.