A inauguração das alças do novo viaduto sobre a rodovia Fernão Dias tem um significado maior do que simplesmente uma alternativa a mais de travessia de um lado a outro da estrada.
Esse viaduto, aguardado por mais de vinte anos, permitirá a integração de bairros da zona Norte de São Paulo com Guarulhos, e vice-versa. Terá também o papel de contribuir para o desenvolvimento da região do Itapegica.
O fato de Guarulhos ser cortada por três rodovias rende à cidade uma série de vantagens em termos logísticos, como todos sabem, mas tais rodovias funcionam também como travas à integração, mesmo entre bairros situados de um lado ou de outro da mesma estrada.
Por força das características de pólo industrial e de transportes, aquele trecho da zona Norte da capital conta com muitos trabalhadores guarulhenses. Ao mesmo tempo, muitas pessoas daqueles bairros precisavam se deslocar a Guarulhos, para trabalhar nas inúmeras empresas ao longo do eixo da Dutra, e encontravam os mesmos obstáculos de acesso, apesar da distância relativamente pequena. Essa é uma das vantagens da obra.
Do ponto de vista comercial, porém, Guarulhos terá bem mais a ganhar com as novas alças, porque dispõe de melhores atrativos para trazer consumidores da zona Norte de São Paulo do que o inverso. Os shoppings da cidade constituem um desses atrativos e certamente se beneficiarão das alças. As várias faculdades de Guarulhos também tendem a conquistar alunos daquela região de São Paulo, agora que a integração se tornou possível.
Uma obra relativamente simples será solução para diversos problemas e terá importância fundamental para os usuários do Terminal de Cargas Fernão Dias. Resultará em economia de tempo e de combustível. Aliás, economia que poderia ter sido feita há muitos anos, não fossem as questões burocráticas decorrentes de a obra envolver as duas prefeituras – de São Paulo e Guarulhos – e o governo federal, além, é claro, do joguinho de vaidades e os interesses político-partidários.
Investigação profissional
Caso Isabella repele o fantasma da Escola de Base
O juiz Maurício Fossen, da 2ª Vara Criminal de São Paulo, aceitou ontem o pedido do Ministério Público e decretou a prisão preventiva do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá.
Terminou, assim, o primeiro ato da tragédia que levou ao assassinato covarde e brutal da menina Isabella Nardoni, no dia 29 de março.
Agora, é a vez de a Justiça dizer quem tem razão. O processo seguirá seu curso normal, ouvindo as partes e condenando ou absolvendo os suspeitos, conforme a lei e os elementos de prova compilados.
Muito já se disse e se escreveu sobre o caso. É hora de destacar um aspecto pouco comentado até agora: o rigoroso profissionalismo com que se comportaram os delegados da Polícia Civil de São Paulo, os peritos do Instituto de Criminalística e os promotores que ofereceram a denúncia.
O fantasma da Escola de Base foi exorcizado, tanto pelas autoridades quanto pela maior parte da mídia, que fez uma cobertura perfeitamente compatível com a dimensão do crime, sem exageros ou tentativas de auto-censura.
O episódio da Escola de Base virou um traumático paradigma da irresponsabilidade policial e jornalística na apuração de crimes polêmicos. Foi em 1994, quando dirigentes de uma escola infantil de
São Paulo foram acusados de abuso sexual contra seus alunos. O prédio chegou a ser depredado, e seus diretores, presos. Mas o inquérito foi arquivado pela Justiça - por absoluta falta de provas.
Constatou-se, depois, que um delegado sedento de notoriedade havia divulgado leviamente à imprensa suspeitas sem qualquer fundamento.
A mídia, por sua vez, tomou ao pé da letra as palavras do delegado e, sem checar as informações, deu livre curso à mentira. Quando esta foi descoberta, já era tarde. A escola teve de fechar as portas, e a vida pessoal de seus diretores já tinha sido irremediavelmente destroçada.
Nada disso aconteceu no caso Isabella, apesar das naturais queixas da defesa. O trabalho dos peritos e da polícia foi exaustivo e, para as circunstâncias, discreto. A Justiça terá farto material para pronunciar seu veredito com segurança e isenção.