Alunos da Escola Estadual Mauricio Nazar, no Parque Santos Dumont, em Guarulhos, destruíram, na semana passada, carteiras e cadeiras, em um protesto até agora não bem esclarecido.
Vários adolescentes foram detidos para averiguação. A diretora de Ensino de Guarulhos-Norte, Vera Lúcia de Jesus Curriel, afirma que foi um mal-entendido e que não houve depredação. Teria sido uma reação à aventada substituição da vice-diretora, que não ocorreria.
Outra hipótese é que os alunos estariam protestando contra a “linha dura” adotada pela direção da escola, que resolvera deixar os portões fechados, impedindo a saída no intervalo.
Sejam quais forem os motivos, nada justifica que estudantes de uma escola pública depredem o patrimônio que é de todos. Têm o direito de protestar, de reivindicar seus direitos, de propor mudanças, mas jamais de danificar bens que são pagos pelos contribuintes – por eles mesmos, inclusive – através dos impostos embutidos nos preços dos produtos.
Por outro lado, há nas escolas públicas o hábito generalizado de alunos faltarem ou se ausentarem sob qualquer pretexto. Não basta dizer que eles serão os próprios prejudicados, que sentirão falta das aulas perdidas quando disputarem uma vaga no mercado de trabalho.
Nem basta atribuir essa atitude infantil a desajustes de comportamento ou à desagregação familiar, ainda que ambos possam ser fenômenos verdadeiros e interligados. É preciso, sim, descobrir por que os alunos querem fugir da escola, por que se interessam cada vez menos em aprender.
Algo deve estar errado, pois cada vez mais os estudantes saem da escola sabendo menos. É preciso rediscutir a escola e a formação dos professores. Essa é uma tarefa de todos: alunos, pais, professores, dirigentes da área, políticos e de toda a sociedade civil.
A educação é a solução para a maioria dos problemas, mas, para tanto, a escola deve ser a primeira instituição a ser reinventada.