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• Opinião - [11h02 10/06/2008]

Reduto da impunidade
por Redação

Ninguém pode com a corrupção no DETRAN de São Paulo

  • Editorial I

A reputação do Departamento Estadual de Trânsito, o Detran-SP, é aparentemente indestrutível. As denúncias de corrupção que o envolvem vêm dos tempos do ex-governador Paulo Maluf, que deixou o poder em 1982.

Mais de 26 aos depois, elas se repetem monotonamente, zombando de todos os governadores que se seguiram, e humilhando os contribuintes do Estado.

Depois de Maluf, veio seu adversário Franco Montoro. E depois Orestes Quércia e Luiz Antônio Fleury, todos do PMDB. E depois os tucanos Mário Covas e Geraldo Alckmin. Pouco mudou. As denúncias continuaram, bem como as queixas dos usuários quando à qualidade dos serviços, sempre lastimável.

Agora, sob José Serra, os esquemas persistem. O tráfico de falsas carteiras de habilitação, entre outras irregularidades, começa nas circunscrições de trânsito, passa pelas auto-escolas, escorre pelas delegacias e termina no moderno prédio do Detran no Parque Ibirapuera.

É um dos clássicos da história da corrupção em São Paulo. Está em cartaz há décadas, e ninguém consegue tirá-lo de cena.

A força-tarefa que prendeu 20 pessoas no Estado, no último dia 3, na Operação Carta Branca, poderia ser um alento, mas é antes uma confirmação de que os esquemas da corrupção penetraram fundo no aparato policial.

Dentre os presos estão policiais, funcionários e donos de auto-escolas (inclusive do município), médicos e um delegado. O escândalo já levou ao afastamento de 14 delegados das Ciretrans. Mas pode ser ainda pior.

Segundo uma estimativa do próprio governo, haveria 38 Ciretrans, inclusive a de Guarulhos, e 416 auto-escolas sob suspeita em todo o Estado. A extensão do caso já põe em xeque a própria cúpula da Polícia Civil.

Os indícios de fraude são gigantescos, e sua persistência no tempo desafia a autoridade do governo do Estado. Quem vai conseguir deter a corrupção no Detran?

  • Editorial II

Cumbica abandonada
Ritmo do poder público não condiz com a importância

Diferentemente do que acontece em outras regiões produtivas, os empresários sediados na região de Cumbica temem receber a visita de potenciais clientes ou de fornecedores, tão drástica é a situação do bairro.

Com as ruas sem pavimentação, cheias de poças d’água, ocupadas por favelas, com barracos construídos à beira de córregos, os empresários temem causar uma impressão de desconfiança, tanto perante clientes em prospecção quanto diante de possíveis fornecedores. Não são poucos os relatos de situações constrangedoras já enfrentadas.

A reportagem publicada na edição de domingo do Diário de Guarulhos mostra um pouco desse drama diário das empresas da região.

A Asec (Associação dos Empresários de Cumbica) cobra maior empenho da administração municipal, pois nem com as empresas bancando as obras, elas são feitas no ritmo esperado. O prefeito Elói Pietá se defende, afirmando não ter prometido entregar 15 ruas pavimentadas por ano.

É verdade que Cumbica já foi bem pior e que a gestão Pietá fez mais do que as anteriores na região. Mas é inegável que deveria e poderia ter feito muito mais. Afinal, é dali que Guarulhos tira boa parte de sua arrecadação. E retiraria ainda mais, se a infra-estrutura local fosse mais adequada.

As autoridades precisam se colocar no lugar dos empresários e responder honestamente: quem, em sã consciência, arrisca investir em uma cidade que oferece esse tratamento às empresas?

Só mesmo a soma de todos os fatores que convergem positivamente para Guarulhos faz com que, mesmo com esse descalabro, novas empresas continuem se instalando na cidade. A localização estratégica é o principal desses fatores. Outro, é que resta sempre a esperança de que, gradativamente, a situação melhore.

Para que ninguém mais – nem o prefeito – tenha vergonha de receber visitas, a administração municipal precisa encarar seriamente o desafio de desobstruir as vias públicas e de reduzir a burocracia para que as obras em parceria com o empresariado caminhem em ritmo condizente com a importância da região.



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