A Carta Aberta divulgada no dia 7 pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é um documento de tanta importância, tão corajoso e oportuno, que não pode ser avaliado nos limites de um único comentário. Há ali matéria para muita reflexão.
Neste momento, cabe ressaltar um aspecto, o da auto-crítica – a responsabilidade que o líder intelectual do principal partido de oposição imputa a si próprio e a seus companheiros pela “podridão reinante no país.”
Sim, o PSDB também é responsável por tudo isso que está aí. Não por ter sido agente das bandalheiras – isto está claro -, mas por ter se omitido quando os crimes do mensalão foram sendo revelados, temeroso de levar a crise política às últimas conseqüências.
Foi responsável também, como anotou o ex-presidente, por não ter punido com a determinação necessária os deslizes tópicos em seus próprios domínios, caso do senador Eduardo Azeredo, quando seu nome foi arrolado entre os beneficiários do valerioduto.
A hesitação deu margem ao cínico contra-ataque oficial, segundo o qual “somos todos iguais”. E foi precisamente naquele momento que o eleitor, perplexo, começou a descrer da punição aos corruptos, conformando-se em adaptar-se à ordem em curso, endossando-a.
O PSDB pode ter errado quando escolheu Geraldo Alckmin, e não José Serra, como seu candidato a presidente.
Alckmin é um político honrado, mas ao optar pelo nome menos expressivo e menos conhecido do eleitorado nacional, o “candidato reserva”, como se disse na época, o PSDB deu um sinal claro ao eleitor – o de que não tinha confiança na vitória.
E quando o próprio Alckmin decidiu esconder de sua pregação na TV os temas que escandalizaram o país, contribuiu para legitimar a “podridão reinante”, consolidando a vitória dos adversários.
O PSDB fracassou numa hora crítica para a democracia brasileira. O preço de seus erros será pago não só por seus líderes, mas por todo o país.