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• Opinião - [08h58 26/09/2006]

Declarações de guerra
por Da Redação

Para Lula, 'golpista' é todo aquele que não vota em Lula

Comparem estas duas recentes declarações:

1-“Se alguém achar que a campanha presidencial vai para o segundo turno, vai ter de esperar para concorrer em 2010. Dia 1º de outubro é dia de a onça beber água. Essa oncinha está com sede” (presidente Lula, num comício em Sorocaba, no domingo).

2-“Há uma campanha entre os adversários do presidente Lula querendo levar a eleição para o segundo turno independente da vontade do eleitor, porque acha que assim é melhor. Mas eu pergunto: melhor para quem, cara pálida? Quem tem que decidir é o povo”(Aldo Rebelo, presidente da Câmara, aliado de Lula, nesta segunda).

Tais declarações, de duas das principais figuras da República, mostram que a eleição presidencial entrou num túnel escuro e perigoso.
Na semana passada, Lula chamou seus adversários de “golpistas” e acusou-os de tentar “melar” a eleição. Agora, Aldo Rebelo deplora a hipótese do segundo turno porque, se ocorrer, será “independente” do eleitor – ou seja, será um golpe.

Como o segundo turno será decidido unicamente pelo eleitor (e não “independente” dele), segue-se que “golpista” é todo cidadão que resolver dificultar, com seu voto, a vitória de Lula já no primeiro turno.
Pela lógica torta e autoritária deste governo e de seus aduladores, “golpista” será qualquer resultado que não assegurar a consagração de Lula no próximo domingo.

Se o eleitor decidir jogar a a eleição para o segundo turno, terá sido cúmplice de uma “manobra golpista”; se decidir liquidar a fatura já neste domingo, aí sim terá produzido um resultado legítimo.
Se fizer o que Lula mandou, será um democrata. Se não o fizer, terá “melado” a vontade popular.

São palavras que não refletem apenas a compreensível ansiedade pré-eleitoral que acomete qualquer candidato.

São palavras que traem as verdadeiras intenções de seus autores. São autênticas declarações de guerra contra todo e qualquer resultado que não leve à imediata vitória dos atuais detentores do poder.

São palavras de quem não acredita em democracia.

 



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