O prefeito Elói Pietá tem razão quando elogia alguns feitos de seu governo na crítica área da Educação, especialmente a expansão do atendimento. A atual administração aumentou de 24 mil para 80 mil o número de alunos na rede municipal e de apenas 350 para 10 mil, o de crianças atendidas nas creches.
São conquistas que merecem elogios, sem dúvida. Mas a qualidade do ensino ministrado aos alunos continua de fora das considerações do prefeito e de seus assessores.
A Prefeitura simplesmente não tem resposta para o desempenho pífio das 46 escolas municipais de Guarulhos, apontado pelo “Prova Brasil” do Ministério da Educação e publicado pelo Olho Vivo há duas semanas.
Pior: não sabe o que fazer e não diz como mudará as péssimas notas das crianças da rede municipal em matemática e língua portuguesa, os dois itens avaliados pelo exame do MEC.
O tema é importante demais para ser tratado de forma defensiva, como se fosse mero tiroteio eleitoral, como sugerem algumas manifestações oficiais.
Afinal, qual é o projeto do atual governo para qualificar seus professores e, portanto, elevar o padrão de ensino às crianças de Guarulhos? Por que é mais fácil erguer prédios escolares e creches do que melhorar o desempenho dos alunos?
No fundo, porque a elevação da qualidade do ensino impõe quebrar políticas paternalistas em relação aos professores e servidores públicos em geral. Exige quebrar vícios corporativos e afrontar o renitente conservadorismo das administrações escolares. Exige cobrar resultados de professores e diretores – uma heresia para o atual governo.
Exige, enfim, mais criatividade do que este governo se mostra disposto a oferecer.
Quando o Olho Vivo perguntou ao prefeito, na quarta-feira, o que poderia melhorar na educação, este saiu-se com uma boutade: “Tudo pode melhorar. Eu tenho 62 anos e posso melhorar cada vez mais”. A frase define um estilo. Vamos então tomá-la ao pé da letra e lançar a exortação: melhore, prefeito!