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• Opinião - [22h10 28/12/2007]

Desafio para já
por Redação

Polícia perdeu o controle da violência nas estradas

  • Editorial I

A melhor homenagem que as autoridades brasileiras poderão fazer ao ano novo que se aproxima é conter de imediato a violência e as mortes nas estradas – e assumir tal desafio já a partir deste fim de semana prolongado.

A tragédia que se abateu nas rodovias brasileiras nos feriados de Natal superou todos os limites. Foi um escândalo. Exige mudanças drásticas nos métodos de policiamento e nas operações de fiscalização das estradas.

Na semana passada, como se sabe, em apenas quatro dias, houve 196 mortes, afora os 1.870 feridos, nos 2.561 acidentes ocorridos nos 61 mil quilômetros de rodovias federais.

A violência nas estradas saiu do controle dos motoristas e das autoridades. Colocou em xeque a competência da Polícia Rodoviária Federal, e deveria ser objeto da máxima atenção do ministro da Justiça.

A euforia com o bom momento da economia brasileira, que o presidente Lula tão bem traduziu em seu último pronunciamento na televisão, não pode minimizar a persistência – ou, no caso, o agravamento – de problemas crônicos do país.

Os brasileiros se acostumaram com a matança nas estradas e nas ruas. A cifra macabra de 35 mil mortes anuais, em média, em acidentes de trânsito parece não escandalizar nem os motoristas e nem as autoridades.

O argumento de que o aumento dos acidentes nas estradas seria conseqüência do caos nos aeroportos, já que mais pessoas teriam optado por viajar de automóvel, é falacioso – e, mesmo que contivesse um grão de verdade, não justifica a inércia burocrática com que o problema tem sido tratado.

O fato é que o aumento da frota de veículos em todo o país e a maior disponibilidade dos motoristas para viajar não foram acompanhados de medidas preventivas adequadas.

Quantas mortes serão necessárias para que a Polícia Rodoviária e o ministro Tarso Genro abram os olhos para essa dramática realidade?

 

  • Editorial II

Sereno otimismo

Palavra de ordem para 2008 deve ser: cautela

Em seu último pronunciamento do ano na televisão, anteontem, o presidente Lula mostrou-se sereno e esbanjou otimismo.

Em nada lembrou o dirigente furioso que, há apenas um mês, ameaçava a oposição com o caos nas contas públicas e com o colapso da Saúde, caso a CPMF fosse rejeitada no Senado, como de fato foi.

Não houve o caos e nem haverá - e nem havia motivos para tanto. Portanto, as ameaças se dissiparam do discurso oficial, pois o presidente, como se sabe, é um pragmático.

Houve apenas a fugaz afirmação do Congresso (ao menos, uma vez) contra um Poder Executivo que sempre arrancou dos parlamentares o que quis.

O presidente sabe disso. E, aparentemente, já superou a ressaca da derrota. Os números lhe são tão favoráveis que ele nem precisa inventar falsos adversários para justificar os erros do governo.

Em suas próprias palavras, o cenário para o próximo ano é de afirmação da economia brasileira, das conquistas sociais e de mais crescimento.

Tudo isso apesar dos riscos de aumento da inflação doméstica e mundial e das incertezas que ainda persistem com os efeitos da crise do setor imobiliário nos Estados Unidos.

O presidente prometeu ontem que, em 2008, o Brasil “será um canteiro de obras” – e renovou sua aposta no Plano de Aceleração de Crescimento e nos vários PACs já lançados.

Fez um balanço positivo dos feitos de 2007 na área econômica e social, mostrando os excelentes resultados advindos da combinação virtuosa de crescimento econômico e inflação sob controle.

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Não haverá o caos, mas tampouco o futuro imediato é tão risonho como quer fazer parecer a retórica presidencial.

A melhor palavra de ordem para 2008 é cautela: para consolidar as conquistas já obtidas e evitar retrocessos.

Pois no próximo ano o governo terá também de remar, e não apenas se deixar levar mansamente pela correnteza.



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