O desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do Brasil atingiu em julho o maior índice desde abril de 2005, segundo o IBGE. A renda média também teve um retrocesso de 0,7% em relação a junho; é o primeiro recuo desde o início do ano.
Os números são oficiais; o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística é um órgão federal. Mas o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, contesta os dados, embora não os tenha questionado nos meses em que eram favoráveis ao governo.
O Ministério tem razão quando aponta que novos empregos têm sido gerados; porém, não são suficientes para atender à demanda, já que sempre há mais gente procurando trabalho. Foram 84 mil vagas abertas em 2006, ante 174 mil pessoas entrando na População Economicamente Ativa, ou seja, atingindo idade para trabalhar.
Esse descompasso acontece porque o País não está crescendo como seria necessário. Na América Latina, só o Haiti cresceu menos do que o Brasil. Uma das razões da queda na renda média é que as pessoas sujeitam-se a salários menores para evitar o desemprego.
O governo procura mostrar perspectivas favoráveis, mas a elevada carga tributária e alto custo dos encargos sobre salários inibem o crescimento. Em 2005, os impostos atingiram 37,37% do Produto Interno Bruto, recorde histórico, apesar dos discursos do presidente Lula de que, em um suposto segundo mandato, pretende reduzir a carga de tributos.
Em São Bernardo do Campo, berço de Lula e de Luiz Marinho, a Volkswagen ameaça fechar sua fábrica, dependendo das negociações com o sindicato dos metalúrgicos.
A empresa alega que precisa melhorar a produtividade e reduzir custos para manter a unidade. A Anfavea, associação das montadoras de veículos, aponta os altos juros e a carga tributária como problemas para o Brasil competir no exterior.
O fato é que números não mentem. Talvez seja por isso que eles costumam contrariar os discursos dos governantes.