Pacifistas de várias partes do mundo assistem a mais uma onda de violência no Oriente Médio. Medo, insegurança e a sensação de não haver futuro pairam sobre um dos mais belos países do mundo.
O Líbano, recém-construído de uma guerra civil que durou exatamente 15 anos (1975–1990) e trouxe a morte para mais de 150 mil pessoas, corre o risco de ser novamente destruído. Como entender, se é possível, uma guerra que aponta para a auto-destruição de judeus, libaneses e de quebra, riscar, de uma vez por todas, qualquer possibilidade de edificação de um futuro estado palestino?
˝Estamos diante de um novo paradigma. O mundo se entende pela lógica da violência, pela lógica da guerra˝, aponta o sociólogo francês Alain Tourraine, em seu novo livro “Um Novo Paradigma: Para Entender o Mundo de Hoje” (Vozes, 2006). A soberania americana deve ser imposta ao mundo. Esse projeto está em curso deste o 11 de setembro.
Para ele se realizar, a região, ou melhor, o estado de Israel, exerce um papel geográfico-militar de suma importância.
Na raiz do atual conflito estão décadas de humilhação impostas à população palestina. Em mais de 50 anos de existência do estado de Israel, não se construiu um único bairro voltado à população árabe-palestina.
Todos os governos intoxicaram-se ao falar de um processo de paz para a região, mas nenhum foi capaz de reter o projeto de ocupação ilegal em territórios palestinos.
No momento, o que une palestinos e árabes é o ódio comum a Israel. Ódio propalado ao mundo pelo presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejab, principal responsável por armar e treinar a milícia do Hezbollah, para quem a única solução do conflito ˝passou a ser a destruição total do estado de Israel˝.
Como bem escreveu o renomado intelectual e pacifista israelense Amós Oz, fundador do movimento Paz Agora, referindo-se a décadas de violência na região, ˝em vez de comermos do fruto da árvore da Vida, ou da árvore do Conhecimento, parece que recebemos da serpente um fruto venenoso da árvore do mal, e o devoramos com grande apetite. É assim que termina o Paraíso e começa o Inferno.˝