O ex-vereador Carlos Roberto volta à cena política após dez anos longe das urnas. Ele se lança na disputa majoritária pelo PSDB e avisa aos concorrentes: “vou ser prefeito”.
Diário de Guarulhos – O sr. foi candidato a prefeito em 1996. De lá para cá, a cidade cresceu e mudou muito. Portanto, muita gente não conhece seu nome. De onde tira otimismo para dizer que será o prefeito?
Carlos Roberto – Quando eu entrei na política, em 1988, eu já desejava ser candidato a prefeito. Meu perfil é mais de executor do que de legislador. Mas para conhecer melhor a realidade e as necessidades do município e da população comecei a carreira política como vereador. O otimismo faz parte da minha vida. Antes do Plano Collor nossa empresa tinha 1.200 funcionários. Nosso faturamento caiu 97% e eu tive de demitir mil colaboradores. Parti do zero e reconstruí minha vida empresarial.
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CARLOS ROBERTO
52 anos, técnico ferramenteiro, é empresário do ramo termoplástico. Em 1979, fundou a empresa CRW Plásticos, que hoje tem filiais na Eslováquia e nos EUA, além de uma unidade em Varginha (MG) e outra em Joinvile (SC). Foi vereador de Guarulhos por dois mandatos, de 1989 a 1996, secretário de Turismo e hoje é presidente do PSDB local.
DG – A lei eleitoral mudou. Sem poder distribuir brindes, fazer showmícios e sem TV, como se fazer conhecido na cidade?
CR – Em 1996, sai candidato a prefeito e recebi 65 mil votos. Tenho certeza de que desempenhei um papel fundamental naquele cenário político. Em 2006, fiz a campanha para o Edson Aparecido e para o Rodolfo Costa e Silva (respectivamente deputado federal e estadual pelo PSDB) e os dois se elegeram recebendo o maior número de votos pelo partido, em Guarulhos. Pesquisas me apontam com 3%, portanto eu tenho esse capital. Não tenho dúvida que meu currículo vai permitir que os eleitores, hoje perto de 760 mil, acreditem na nossa proposta. Eu terei o apoio do ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do atual governador, José Serra. Acredito que eles transfiram para mim a credibilidade que têm.
DG – Como está seu partido?
CR - Em 2004 tivemos um racha. Uma parte do PSDB apoiou a candidatura do (Sebastião) Alemão à Prefeitura e uma parte não. Desde então, estamos reconstruindo o partido. Em breve, vamos fazer uma grande campanha de filiação. Esse é o momento ideal para isso. Nossa intenção é divulgar o PSDB.
DG – Com quais partidos pretendem se coligar?
CR – Estamos conversando com vários partidos. Temos chapa completa de vereadores, 51 candidatos.
DG – Quem quer como vice?
CR – Sempre quis que fosse alguém da classe laboral, já que eu sou da classe patronal. Isso daria um equilíbrio. Mas a política é dinâmica e estamos discutindo com alguns partidos. Se não agregar valor à campanha, não vamos lançar por lançar.
DG – Se pudesse escolher um adversário, quem seria?
CR – O PT. Seria bom trazer para Guarulhos a polarização do debate que ocorre na Capital e em nível federal.
DG - Qual seria sua primeira ação como prefeito?
CR – Eleito, eu terei os números reais da cidade, valores a receber e a pagar. Quero dizer à população qual a situação real da cidade e como seria a gestão.
DG – Mas qual é a sua prioridade na Prefeitura?
CR – Seguramente é o saneamento básico. Pretendo ser um prefeito diferente de todos os outros que só trabalham nas conseqüências. Eu quero atacar as causas. Quero fazer com que a população de Guarulhos tenha saúde e auto-estima.
DG – Acredita que o PT possa estar fora do segundo turno?
CR – Acredito que sim. Eles se desgastaram muito. O Elói Pietá tinha remédio para tudo e criticava tudo de forma contundente. Eleito, manteve os mesmos contratos, os mesmos fornecedores. Praticou o maior ato de nepotismo elegendo a própria mulher. E não conseguiu se projetar estadual, nacional ou internacionalmente. Não há horizonte pela frente depois de 31 de dezembro para o Elói.
DG – E depois de prefeito, o que fará?
CR – Serei reeleito em 2012 e governador de SP em 2014. (Renata Moreira e Valdir Carleto)