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Política
Audiência Pública discute loteamentos clandestinos
Liliana Marciano


Comissão de Defesa do Consumidor estuda denúncias da população feitas na Tribuna Livre contra algumas imobiliárias da cidade...

Diante do elevado número de reclamações da população feitas na Tribuna Livre da Câmara Municipal, contra algumas imobiliárias da cidade, que estariam promovendo supostos loteamentos clandestinos, o presidente da Comissão Técnica Permanente de Defesa do Consumidor, Ulisses Correia, decidiu promover audiência pública para debater o assunto. Estiveram presentes à audiência, moradores dos bairros Cidade Nova, Jardim Jaci, Parque Flamengo, Jardim Okuyama e Jardim Hanna. Todos com reclamações contra a mobiliária Mediterrâneo, que vão desde a falta da escritura definitiva, devido a irregularidades no loteamento; cobrança abusiva no valor do financiamento, até parcelamento irregular de solo.

De acordo com José Carlos dos Santos, morador do Jardim Cidade Nova, há 22 anos o loteamento está irregular e vários moradores estão com o contrato quitado, mas sem a escritura definitiva porque a imobiliária não cumpriu a Lei nº 6766/69, que estabelece todas as normas de loteamento, como, por exemplo, a instalação de infra-estrutura. Contra a imobiliária e seu proprietário, os moradores do Cidade Nova, situado no Jardim Andorinha, na região do Lavras, entraram com representação na Promotoria Civil de Guarulhos e processo de pedido de cassação do registro de Osvaldo Mazoni, no Creci. Existe também instauração de inquérito no 7º DP.

Segundo Santos, no dia 30/3 foi protocolada na Promotoria de Justiça Criminal, representação contra o secretário-adjunto da Habitação, Paulo de Tarso; a diretora do Departamento de Assuntos Fundiários, Ellade Imparato; o secretário de Obras, Artur Cunha; e o prefeito Elói Pietá, solicitando apuração do mau uso de verbas públicas em benefício de loteador em loteamento particular.

A moradora do Jardim Jaci Santina de Fátima Alves Guimarães, no bairro há mais de 10 anos, disse que já não consegue mais efetuar o pagamento das prestações de seu terreno, porque o valor é muito alto. Ela disse também que a cada ano a metragem do seu terreno é alterada. Já Zuleide Barbosa, do Jardim Okuyama, ressaltou que 150 famílias residem num bairro que não existe para a Prefeitura. De acordo com ela, a área foi interditada em 95 e logo depois loteada pela Mediterrâneo.

REPRESENTANTE Para tentar chegar a um acordo, a Comissão, que também é composta pelos vereadores Wagner Freitas e Francisco Barros, convidou o proprietário da imobiliária Mediterrâneo, Osvaldo Mazoni, que enviou o advogado Nailton das Neves Silva para representá-lo. Silva protocolou um comunicado perante a Comissão onde explica que o Jardim Jaci não foi loteado pela Mediterrâneo e que, portanto, as obras de infra-estrutura não têm de ser executadas por ela, mas que recentemente realizou negociações referentes aos valores das prestações, com alguns moradores que o procuraram.

O advogado disse ainda que na segunda-feira, 11/4, Osvaldo Mazoni esteve na Câmara para esclarecer o processo de regularização do Jardim Okuyama aos vereadores. Ele explicou que ficou responsável pela área a pedido do ex-prefeito Vicentino Papotto, que prometeu regularizá-la. “Já existe procedimento junto ao Ministério Público para dar plena segurança à imobiliária e aos moradores daquela área”, falou o advogado. Ele disse também que a imobiliária está analisando propostas em relação aos valores das prestações. Silva disse que a Mediterrâneo não tem relação com o Jardim IV Centenário e que fará levantamento de todos os casos expostos na Câmara para encontrar uma solução.

Também esteve presente à audiência, o secretário da Habitação, Adilson Valente, acompanhado da diretora do Departamento de Assuntos Fundiários, Ellade Imparato. Valente disse que compareceu para tomar ciência dos problemas e Ellade explicou que para regularizar o loteamento do Cidade Nova é necessário executar algumas obras, refazer a planta e depois enviar o processo para o Grapohab, órgão que regulariza loteamentos. “Precisamos executar outros serviços, mas só se os moradores assumirem os custos, que futuramente poderão ser cobrados da imobiliária”, adiantou.

O secretário de Desenvolvimento Urbano, Branislawski Kontic; representantes do Creci e o proprietário da imobiliária Continental, Walter Luongo, que também é alvo de denúncias, foram convidados, mas não compareceram.

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