Com a missão de fazer alguma coisa para tirar o governo do atoleiro em que se converteu a crise aérea, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, o jurista Nelson Jobim (PMDB), assume às 16h desta quarta-feira (25) o cargo de ministro da Defesa. A notícia foi confirmada na manhã de hoje pelo Palácio do Planalto. Jobim substitui Waldir Pires, que fez questão de dizer que foi demitido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pires estava no cargo desde março do ano passado.
No começo da manhã, segundo o Planalto, Pires entregou oficialmente o cargo, em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Jobim, que foi ministro da Justiça no primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso (e foi indicado por ele para a vaga no STF), também já se encontrou com o presidente.
Na semana passada, Pires havia dito que não entregaria o cargo, e que a crise do setor aéreo não era responsabilidade da Defesa: "O ministro da Defesa não é administrador de aeroportos (...) Estou no cargo porque fui convidado". Na manhã desta quarta, o porta-voz da presidência, Marcelo Baumbach, disse que "o presidente agradeceu a Waldir Pires a condução com altivez do Ministério da Defesa, mas ponderou que era necessário um novo perfil para o Ministério da Defesa e para conduzir a crise aérea".
Jobim, que recusou dois convites de Lula para o cargo, em março e na semana passada, deverá também assumir a missão de privatizar parte do capital da Infraero (Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária), a estatal com 10 mil funcionários que gerencia os principais aeroportos do país - 67 ao todo. Ele deve receber carta branca para mudar a cúpula da Infraero e enquadrar a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), cujos dirigentes têm mandato e não podem ser trocados ao bel prazer do ministro.
Entre suas tarefas, Jobim vai comandar a definição do terceiro aeroporto para São Paulo, anunciado por Lula na semana passada e cujo local deverá ser estabelecido em no máximo 85 dias.