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• Vida & Saúde - [18h22 23/02/2008]

Obesidade infantil, a epidemia do século 21
por Nilsa Tomé, da Redação

Especialistas afirmam: pais não têm controle sobre alimentação dos filhos

Ver um bebê gordinho, com bochechas rosadas e rostinho redondo, pode ser a alegria de pais e avós. Porém, o que é considerado um mimo por muitos, acabou se tornando um problema sério de saúde entre os pequenos: a obesidade infantil.

Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), “é a epidemia do século 21”, e tem crescido em níveis alarmantes. As causas são as mais diversas, desde hábitos alimentares baseados no fast food, salgadinhos e guloseimas, até altas horas em frente à televisão, computador ou videogame.

Para a nutricionista Lúcia Leal Matos, com a saída dos pais para o trabalho, os filhos ficam em casa ou em creches, o que acaba facilitando o consumo de alimentos industrializados e desconsiderando certos valores, como a importância de se ter horários”.

O psicólogo José Cândido Cheque, coordenador do grupo de Obesidade Atendimento Multudisciplinar Infantil (Goemi), da Universidade Guarulhos (UnG) concorda e completa: “a sociedade mudou muito. Os pais não têm mais tanto controle com a alimentação dos filhos”, afirma.

A obesidade desperta outro problema. “Prejudica a auto-estima da criança, gera insegurança e cria um complexo de inferioridade. Sem contar o preconceito que sofre”, comenta Cheque.

Por isso, é importante que os pais resgatem alguns valores, como sentar à mesa, ter um almoço em família e manter os horários das refeições. “Atitudes como essas fazem com que a criança crie uma rotina alimentar e não coma guloseimas fora de hora”, ensina a nutricionista.

Os especialistas são unânimes em afirmar que os pais devem ficar atentos a alguns sinais, entre eles, a velocidade de mastigação do filho. Nesta fase, a criança tende a dar mais valor ao peso do alimento no estômago do que saboreá-lo. Ou seja, é como dizemos popularmente: “tem o olho maior que a boca”, conclui Cheque.

 

Reeducação alimentar
Mães e filhos buscaram orientação profissional

Numa sociedade obcecada pelo culto ao corpo, crianças gordinhas sofrem muito e se tornam alvos de críticas e apelidos. Foi pensando nisso que Carmem Lúcia Vespa, mãe de Rayane, buscou ajuda profissional para promover mudanças nos hábitos alimentares da filha. “Ela tem nove anos e já pesa 73 quilos. Hoje, não liga muito, mas sei que futuramente o peso será um problema”.

Foto: João Machado
ERRADO A mesa está recheada de tudo o que deve ser evitado
no lanche das crianças: bolo, chocolate, bolachas e doces

Esses dias, inclusive, Carmem disse que Rayane chegou irritada do colégio porque um colega falou que ela é gorda. “E não é só por isso, mas também pela questão da saúde”, afirma.  

Foto: Aparício ReisTambém preocupada com a saúde do filho, Daniel de Souza Leite (à dir.), Maria de Fátima também “virou a mesa”. “Hoje, ele faz seis refeições diárias e cada uma no horário certo”. Ela conta que até uns quatro anos ele tinha corpo normal, e engordou de repente. “O problema foi que passou a ter vergonha do corpo e não queria mais sair de casa, cheguei até a pagar terapia para ele”, lembra.

Com um ano de tratamento – na clínica de nutrição da UnG – ele conseguiu emagrecer quase 18 quilos. “Não foi difícil porque eu queria muito emagrecer. Até comia bastante, mas comecei a regular horários e quantidades”, conta o rapaz.

Agora, ficou melhor olhar para o espelho. “Emagrecer é uma sensação boa. O melhor é sentir que as pessoas não lembram mais de mim como o gordinho”.

 

UnG tem programas gratuitos

Para atender à crescente demanda, a Universidade Guarulhos (UnG) criou o Grupo Obesidade Atendimento Multidisciplinar Infantil (Goemi). Uma equipe multidisciplinar formada por nutricionistas, psicólogos, professores de educação física, entre outros, irá ensinar pais e filhos a ter uma alimentação correta.

O programa, que começa em abril, terá duração de 17 semanas. e atenderá gratuitamente crianças entre 7 a 10 anos.

Os pais interessados e inscrever seus filhos nos encontros podem inscrevê-los através do telefone (11) 6464-1737 (de segunda a sexta-feira, das 8h às 13h) ou pelo e-mail paddac@ung.br. Neste caso, é necessário enviar o nome do grupo (Goami), o nome completo do paciente, idade e número de telefone para contato. O prazo limite é dia 7 de abril, mesma data de início dos encontros, que acontecerão todas as quartas-feiras, das 14h30 às 17h, na Unidade Guarulhos-Centro da UnG (praça Tereza Cistina, 1, Centro).

 

Especialistas insistem na mudança de hábitos; confira algumas dicas

Não existe dieta mirabolante em que a pessoa emagreça facilmente. Então, o importante é a reeducação alimentar. Algumas atitudes são positivas:

- Reduza o consumo de frituras e alimentos salgados. Diminuindo o sal, evita problemas de hipertensão;

- Controle o tempo da criança em frente ao computador e à televisão; estimule brincadeiras ou atividade fora de casa. Movimentação física é importante;

- Vá ao mercado sem os filhos. Diminua consumo de bolachas e doces e opte por produtos naturais, sem conservantes, e integrais.;

- No lanche escolar, coloque frutas, bolos caseiros e sucos naturais. Evite o refrigerante e o chocolate;

- Atenção aos horários das refeições. É importante criar o hábito de sentar à mesa todos juntos e em um mesmo horário;

- Tomar leite puro (sem achocolatados) ajuda na melhor aproveitamento do cálcio. Aumentar o consumo de água também é importante; 

- Aumentar o consumo de frutas. A criança tem um pouco de preguiça. Então, coloque a fruta na mesa já lavada, cortada e descascada.



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