Tempo
Hoje

Min.18C
Max.22C
Amanhã

Min.17C
Max.21C






• Valdir Carleto - [18h17 01/10/2006]

Cem anos de perdão
por Valdir Carleto

Este ano, o clima nas ruas foi bem diferente das eleições anteriores

As atenções desta eleição, como de hábito, voltaram-se para os cargos executivos, particularmente o de presidente da República; para a eleição do governador paulista, as pesquisas há tempo apontavam vitória de Serra no primeiro turno, bem como ampla vantagem de Suplicy para o Senado.

Embora os candidatos a deputado estadual e federal sejam mais próximos do eleitor, boa parte das pessoas dá pouca importância a eles, ignorando que deles dependem muitas decisões vitais para São Paulo e para o Brasil.

Diante desse menosprezo popular pela escolha dos deputados, é hábito recorrer ao expediente da boca-de-urna, visando a influenciar os indecisos até a última hora.

Este ano, o clima nas ruas foi bem diferente das eleições anteriores, fruto das alterações na legislação eleitoral. Os postes não puderam ser usados como suportes para banners e faixas, que acabaram ocupando as calçadas e gramados, devido à dúbia interpretação de uma Resolução do TSE, quanto à permissão de “cartazes não fixos ao longo das vias públicas”. Na quarta-feira, a Justiça Eleitoral de Guarulhos determinou a retirada dos painéis colocados sob essa alegação e a cidade ficou quase limpa. Alguns candidatos insistiram em manter sua propaganda, principalmente nos bairros periféricos.

Foi também na periferia que a boca-de-urna, banida da área central, foi posta em prática, ainda que de forma tímida. Mulheres formavam a maioria de um exército silencioso, postado em esquinas e bancos de praça, com sacolinhas de supermercado na mão, como se estivessem contemplando a paisagem. Muitas detenções foram feitas, mas seriam muitas mais se os cabos eleitorais atuassem ostensivamente. Sem flagrante, a Polícia apenas observava.

O fato é que muitos brasileiros viram uma chance de defender o leitinho das crianças. E o fizeram sem esforço, sem dar contrapartida aos políticos que os contrataram. Bem feito! Quem não cumpre a Lei não serve para elaborar leis. Os candidatos que contrataram boca-de-urna jogaram dinheiro fora, merecidamente. Os cabos eleitorais que assim agiram fizeram justiça: ladrão que rouba ladrão...

Notícias relacionadas:

O mercenário missionário [18h32 02/08/2008]
As boas lições de um vencedor [21h57 21/07/2008]
O eleitor precisa ter discernimento [20h09 07/07/2008]
Você já viu algum índio por aqui? [16h52 05/07/2008]
Gratidão, cultura e desenvolvimento [10h53 01/07/2008]

CapaTopoImprimirIndicar


© Olhão.com - 2005.
Todos os direitos reservados à
Repórter da Cidade Editora Ltda.
Fone: 3488-2500
Publicador em Tempo-Real Desenvolvimento,
tecnologia e manutenção:
Neux Comunicação.