Valdir Carleto - [11h05 06/05/2008]
Questão de gosto e de educação
por Valdir Carleto
Valdir Carleto escreve às terças-feiras
Gosto não se discute, diz o ditado. Quando se fala de música, também não há que se discutir. O que para uns é ótimo, para outros é brega. O que para uns é bálsamo, para outros, tortura. Se cada um ouvisse música no recôndito de seu próprio ambiente, não haveria problema nenhum. Quem gosta de pagode, ouve pagode; quem gosta de rap, ouve rap; quem gosta de clássico, ouve clássico. Adeptos de determinados tipos de música me parecem que têm predileção por ouvir música em altíssimo volume, obrigando quem não tem o mesmo gosto musical a “curtir” junto.
Há alguns dias, um sábado, eu estava almoçando em uma lanchonete na vila Augusta e, na porta da padaria em frente, havia um carro estacionado, com o porta-malas aberto, e o som ligado no máximo. Imagine qual o tipo de música que estava sendo tocada. Acertou: funk! Daqueles que tratam as mulheres de forma bastante pejorativa, pior do que cachorro. Isto é, como cachorrona. Desfilaram, uma após outra, diversas letras, uma pior do que a outra.
Mas, afinal, que homens são esses que tratam as mulheres desse jeito? Acredite: quem estava no tal carro eram três moças. Vamos nos referir assim a elas, para não baixar o nível. Já que o nível do volume elas não abaixaram em nenhum momento.
Teve um domingo em que o morador de um sobrado, na rua que fica atrás do condomínio onde moro, tocou música gospel a manhã toda, a todo volume. Deus não é surdo, gente! Não precisa tocar tão alto!
Cada um deveria respeitar o direito dos outros ouvirem ou não. E quem ouve música em alto volume está obrigando os outros, mesmo que não sejam nem estejam próximos, a ouvir o que não gostam.
Pode ser que me classifiquem como rabugento, mas reparo que ninguém ouve clássicos, música instrumental, MPB de boa qualidade ou célebres canções internacionais em volume exagerado. Não é uma observação preconceituosa, apenas uma constatação.
Gosto não se discute, mas também não se impõe. Educação cabe em qualquer lugar. E a qualquer hora. Não é por ser durante o dia que alguém tem o direito de exagerar no volume. Na dúvida, que se use a lei do bom senso.
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