Valdir Carleto - [12h23 13/09/2006]
Militância, que bicho é esse?
por Valdir Carleto
Vejo pessoas com carros pintados com propaganda eleitoral, que dizem a quem quiser ouvir que estão “dando uma força”, em troca de uma “ajuda na gasolina”.
Tenho ouvido candidatos falarem em militância. Imagino equipes motivadas, fazendo reuniões de conscientização, batendo de porta em porta para levar as propostas dos candidatos, gente passando noites em claro para pintar muros, apoios desinteressados, guiados pela vontade de construir algo novo na política.
Será que isso ainda existe? Duvido.
No sábado à tarde, havia uma aglomeração na avenida Paulo Faccini, aguardando a chegada do candidato petista ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante. O trânsito estava lento e foi possível identificar muitos dos que ali estavam. Todos os que conheço são comissionados na Prefeitura.
Será que as pessoas que balançam bandeiras do Geraldo Alckmin, do Quércia, do Delfim Neto, irão votar neles? Vê-se claramente que não são militantes, pois o fazem sem nenhuma empolgação.
O professor Roberto Santos Ferreira, que colabora com as Palavras Cruzadas no Olho Vivo, me liga informando que puseram faixa de Jorge Tadeu em sua casa, sem autorização, o que repete atitude da mesma equipe na vila Progresso, dias antes. Militantes não fariam isso.
Vejo pessoas com carros pintados com propaganda eleitoral, que dizem a quem quiser ouvir que estão “dando uma força”, em troca de uma “ajuda na gasolina”.
Visito minha mãe, em São Paulo, e vejo uma faixa de candidatos no poste interno. Pergunto quem são e ela diz que uma amiga pediu para pôr, mas não sabe quem são e não irá votar neles. Apenas ficou “sem jeito” de dizer não.
Se a amiga fosse militante, teria explicado quem são os candidatos, convenceria as pessoas a votar neles. Mas, a exemplo de tantos outros, deve estar só fazendo um serviço, bem ou mal remunerado.
E mamãe, em sua inocência, não vê mal em expor um falso testemunho; não vota, mas dá a entender aos vizinhos que sim e, com isso, ajuda mais os candidatos do que se votasse neles.
Eleição virou mercado de trabalho, no qual quem pode mais chora menos. O abuso do poder econômico é gritante, mas a Justiça tem sido silenciosa.
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