A museóloga e diretora do Museu Aeronáutico da Fundação Santos Dumont, Maria Inês Coutinho, afirma que existe grande possibilidade de o hidroavião Jahú vir para Guarulhos.
Primeiro a cruzar o Atlântico em 1927, o grande Jahú, depois de ficar abrigado em diversos locais, estava em situação lastimável, carcomido por insetos. Há dois anos e meio, está sendo restaurado em Carapicuíba e vai ser exposto em abril de 2007, nas comemorações dos 80 anos da façanha de Ribeiro de Barros. De acordo com Inês, a fuselagem do avião já está pronta, mas ainda falta a parte de motores que foi para restauro na Itália. “O Jahú deve ser exposto em algum lugar, ou Guarulhos ou Jaú, em abril. Mas, o local terá de ser adequado, com climatização”, anuncia Inês.
De acordo com Inês, a intenção da Fundação é aumentar os dias de visitação do Museu Aeronáutico de Guarulhos, localizado na Base Aérea de São Paulo, em Cumbica, de modo que a população possa visitá-lo, também, nos fins de semana.
Detendo 19 aviões, a Fundação conseguiu aprovação de um projeto para restauro de parte do acervo, que vai ser patrocinado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Entre as peças que vão passar por restauro figuram uma réplica em madeira, do 14 Bis, feita à época do vôo – portanto com praticamente cem anos – documentos e material de Alberto Santos-Dumont.
Outra peça que deve entrar no pacote de restauro bancado pelo BNDES é o Cesna 140, pilotado por Ada Rogato na travessia dos Andes, na década de 50.
A Fundação Santos Dumont possui um acervo com aproximadamente 5 mil peças, entre aviões, documentos, fotografias, material dos pioneiros da aviação, pinturas, retratos, protótipos, chapéus originais, réplicas, medalhas, condecorações, fardas, além de uma biblioteca de quase 3 mil exemplares raros.
Cidade de Jaú quer ficar com hidroavião
Piloto que fez a travessia nasceu na cidade
Se depender da secretária de Cultura e Turismo da cidade de Jaú, Lucy Rossi, o hidroavião que fez a travessia da Europa à América do Sul, sob o comando do ilustre jauense João Ribeiro de Barros, não virá para Guarulhos. Segundo ela, existe um forte sentimento na cidade de que o robusto Jahú deva ficar justamente na cidade natal do piloto, até por aspectos históricos.
“Aqui em Jaú existe um culto a este herói. Tanto a população da cidade, quanto a própria família do piloto, quer que o Jahú fique aqui, porque ele nasceu aqui". O que Guarulhos tem a ver com tudo isto?”, questiona.
A polêmica do “novo lar para o Jahú” foi acesa quando a Fundação Santos Dumont, que detém o hidroavião, mencionou que há possibilidade de que a aeronave – depois de restaurada – venha para Guarulhos, onde já existe o Museu Aeronáutico.
O secretário de Cultura de Guarulhos, Edmilson Souza Santos garante que o Jahú vem para Guarulhos. “A Fundação tem um convênio com a cidade e esta questão já está resolvida, pois o Jahú integra o acervo da Fundação". Lucy, rebate. “Me admira muito um secretário de cultura não entender o que está acontecendo. Ele deveria abrir mão deste avião. A cidade de Jaú tem todo o mérito para abrigar o hidroavião. Estamos fazendo de tudo para preservar este patrimônio e não tem sentido ir para outro lugar”.