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• Variedades - [17h13 27/11/2006]

Paulistanos têm histórias publicadas
por Maria Helena Rodrigues

Coletânea organizada pelo jornalista Milton Jung inclui crônica de Valdir Carleto

Muitas histórias com personagens e cenário paulistanos. Essa é a essência do livro “Conte sua história de São Paulo” (editora Globo), coletânea organizada pelo apresentador e jornalista Milton Jung, que será lançada nesta terça, 28, às 19h, na loja de Humanidades da Livraria Cultura do Conjunto Nacional (av. Paulista, 2073).

Em pouco mais de trezentas páginas divididas em doze capítulos, ou “estações”, como denomina Jung, o livro traz 110 histórias selecionadas entre as mais de 800 enviadas ao quadro homônimo criado no início do ano pela rádio CBN para comemorar os quinze anos da emissora e o aniversário de 452 anos da cidade de São Paulo. Entre elas está “O homem que enxerga longe” (leia abaixo), de autoria do jornalista Valdir Carleto, paulistano nascido no bairro do Cambuci.

Segundo Jung o livro foi incidental: “A duas semanas do aniversário de 452 anos de São Paulo, pedimos para que os ouvintes nos mandassem suas histórias para que as lêssemos no ar. As histórias começaram a chegar -e chegam ainda hoje, tanto é que o quadro ainda existe - e percebemos que seria interessante publicarmos um livro com as mais interessantes”, diz.

A seleção das histórias foi feita com foco nos personagens. “São Paulo é uma cidade que pouco preservou da sua memória, mas apesar da destruição dos prédios, ruas, avenidas, casas e paisagens naturais, as pessoas, os personagens sobreviveram e são eles os responsáveis pela beleza do trabalho”, finaliza Jung.

O quadro “Conte sua história de São Paulo” vai ao ar de segunda a sábado, às 10h10, dentro do programa CBN São Paulo (90,5 FM e 780 AM), com início às 9h30. O telefone da Livraria Cultura é 3170-4033.

Um Homem que Enxerga Longe

Nascido no bairro do Cambuci, cidade de São Paulo, e filho de família católica, eu vivia no bairro do Sapopemba, Zona Leste, quando chegou a idade de fazer a Primeira Comunhão.

Minha mãe soube que havia um rapaz cego, o Francisco Plaza, que ensinava o Catecismo para as crianças. Fiz o cursinho, e dali nasceu uma sólida amizade. Algum tempo depois, o Plaza nos procurou para vender uma rifa, para arrecadar dinheiro para comprar uma aparelhagem de som, pois queria montar um “Serviço de Alto-Falantes”.

Assim que conseguiu seu intento, fui ver de perto o que era isso. Sem saber, o Chico Plaza estava criando uma rádio comunitária, só que era transmitida de forma direta, para quem pudesse ouvir. Aliás,
quem não queria também ouvia.

Fiquei maravilhado com aquelas luzinhas do amplificador e com a maestria com que o amigo lidava com os aparelhos sem vê-los. Passei a ajudá-lo a catalogar os discos e a identificá-los com etiquetas em
Braille.

Eram promovidas gincanas, shows e eventos de reivindicações da comunidade e era preciso informar às pessoas que residiam em locais onde o som não chegava. Surgiu daí a idéia de fazermos juntos um
jornalzinho numa folha de sulfite mimeografada.

Foi o início de minha carreira de jornalista. Por onde passei, em toda minha vida, fundei um jornal; na escola, nos lugares onde trabalhei e morei; até lançar o Olho Vivo, em Guarulhos, em 1981, jornal que
acaba de completar 25 anos de circulação ininterrupta.

O Plaza fez faculdade de Pedagogia e de Comunicação, transformou-se em radialista e, aprovado em concurso público, ingressou na Polícia Civil, onde atua na área de telecomunicação, tendo já sido considerado
“Policial do Ano” algumas vezes, pelas operações de salvamento cujo bom resultado dependeu de sua perícia nos equipamentos que opera e na sua perspicácia.

Várias reportagens já foram feitas por suas peripécias. Não podíamos imaginar, no início da década de 60, que estávamos ajudando a escrever a história da nossa amada cidade de São Paulo. E eu não sabia que o Plaza enxergava tão longe.



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